Descubra quais são os quatro caminhos possíveis para a formação de um novo governo em Israel após o impasse nas eleições legislativas
A recente conclusão da apuração das eleições legislativas em Israel revelou um cenário de forte indefinição política. Nenhum dos principais blocos partidários conseguiu alcançar as sessenta e uma cadeiras necessárias para formar maioria absoluta no Parlamento, conhecido como Knesset.
O bloco de direita e extrema direita que apoia o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou cinquenta e três assentos. Por outro lado, a coalizão de oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve quarenta e oito lugares, enquanto as listas árabes somaram dezenas de cadeiras históricas.
Conforme informação divulgada pelo GLOBO, a definição exata do futuro político do país dependerá de intensas negociações e das recomendações oficiais apresentadas ao presidente Isaac Herzog para superar o impasse institucional.
Formação de uma coalizão com apoio decisivo
O primeiro cenário envolve a tradicional formação de uma coalizão governista por meio de acordos partidários. O presidente Isaac Herzog indicará o candidato mais bem posicionado para conseguir o apoio mínimo de sessenta e um deputados no plenário.
Como o bloco governista tem cinquenta e três assentos e a oposição possui quarenta e três, os partidos árabes ganharam um papel totalmente decisivo. O partido Ra’am, de Mansour Abbas, demonstrou abertura para negociar com o campo opositor.
Contudo, o principal obstáculo reside na resistência de setores da oposição em aceitar alianças com legendas árabes. Durante a campanha, Gadi Eisenkot afirmou que não governaria com grupos que evitam classificar o Hamas como organização terrorista.
Do outro lado, Benjamin Netanyahu também enfrenta dificuldades para expandir sua base, pois pequenos partidos aliados ficaram abaixo da cláusula de barreira. Vale lembrar que o atual premiê levou cinquenta e oito dias para formar governo em eleições anteriores.
Criação de um governo minoritário
Uma segunda alternativa viável é a criação de um governo minoritário que não conte com sessenta e uma cadeiras fixas. Nesse modelo, a gestão dependeria de apoios pontuais de parlamentares externos para aprovar projetos essenciais.
As listas árabes israelenses poderiam atuar nessa modalidade oferecendo suporte externo a uma coalizão liderada por Gadi Eisenkot, sem a necessidade de integrar formalmente o Gabinete ministerial do país.
Durante a campanha eleitoral, Benjamin Netanyahu criticou fortemente essa possibilidade. Ele tentou associar qualquer aproximação da oposição com os partidos árabes a uma ameaça direta à segurança e à estabilidade de Israel.
Possibilidade de um governo de unidade nacional
O terceiro cenário aponta para a criação de um governo de unidade nacional que reúne forças de diferentes espectros políticos. A grande barreira para essa solução continua sendo a profunda polarização ideológica da sociedade israelense.
Pesquisas recentes indicam que grande parte da população preferiria uma unidade nacional antes de novas eleições. Há um precedente registrado em 2020, quando Benjamin Netanyahu e Benny Gantz firmaram um acordo de revezamento no cargo.
Contudo, analistas apontam que o presidente Isaac Herzog tem atuado discretamente nos bastidores. O objetivo seria aproximar Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot caso as negociações convencionais fiquem totalmente travadas.
Impasse prolongado e novas eleições
Se nenhum dos líderes conseguir viabilizar uma coalizão estável, o país poderá retornar às urnas. Israel já viveu um ciclo semelhante entre 2019 e 2021, quando realizou quatro pleitos seguidos devido à falta de acordos duraderos.
Após receber as indicações partidárias, o candidato escolhido terá inicialmente vinte e oito dias para negociar. Esse prazo pode ser estendido por mais catorze dias conforme as regras vigentes do sistema político israelense.
Enquanto todo esse processo complexo de negociação acontece e um novo Gabinete não é definido, Benjamin Netanyahu continuará ocupando o cargo de primeiro-ministro em exercício, mantendo a administração federal.
