O presidente da China, Xi Jinping, promoveu uma nova e profunda reestruturação interna no Partido Comunista da China, afastando dezenas de integrantes de posições de alto escalão.
A medida resultou em um número inédito de assentos vazios durante a principal reunião política da agremiação, gerando forte repercussão em toda a estrutura governamental do país.
O governante reforçou que a integridade é prioritária, classificando os desvios de conduta como a principal ameaça ao regime, conforme informações apuradas pela rede BBC.
Recorde de expulsões atinge cúpula das Forças Armadas
Ao todo, 33 integrantes foram expulsos sob a alegação de graves violações disciplinares e legais ao término do quinto plenário do Comitê Central realizado em Pequim.
O evento registrou a participação de apenas 279 membros, número inferior aos 315 do encontro anterior e bem abaixo dos 364 observados em meados de 2024.
Entre os punidos, 16 integrantes pertencem às Forças Armadas, confirmando que a área militar foi um dos focos centrais das ações punitivas desta semana.
As novas decisões elevam para um recorde de 51 o total de membros expulsos durante o atual mandato de Xi, superando os períodos governamentais anteriores.
Consolidação de poder e alerta sobre deslealdade política
Em nota oficial, o partido afirmou ter enfrentado o enfraquecimento da liderança e declarou que manterá a autodisciplina rigorosa para conter a desordem interna.
O pesquisador Chong Ja Ian, da instituição Carnegie China, avaliou que a ação virou um esforço aberto para consolidar e manter a autoridade da presidência.
Para o especialista, a campanha continuará e se expandirá dependendo de quão seguro o líder se sentir no poder, e não apenas de desvios reais constatados.
Nos primeiros nove meses do ano, o órgão oficial de fiscalização puniu disciplinarmente cerca de 680 mil pessoas em diversas instâncias da administração.
Impactos na liderança militar e no Politburo chinês
Entre os afastados figuram nomes proeminentes, como o ex-chefe partidário Ma Xingrui e os ex-generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, que ocupavam postos centrais.
A Comissão Militar Central, que anteriormente contava com sete membros ativos, ficou restrita a Xi Jinping, como presidente, e Zhang Shengmin, como vice-presidente.
Pesquisadores do Asia Society Policy Institute definiram a ação nas Forças Armadas como algo sem precedentes, levantando dúvidas sobre a organização e prontidão para combate.
O poderoso Politburo chinês também sofreu desfalques de membros experientes, sendo recomposto parcialmente com a inclusão de aliados alinhados à gestão central.
Olhar fixo no futuro e no próximo Congresso do Partido
Analistas internacionais avaliam que o endurecimento disciplinar está diretamente conectado à preparação para o próximo Congresso do Partido, previsto para 2027.
A expectativa de analistas políticos é que Xi Jinping consiga pavimentar a permanência no cargo por um quarto mandato consecutivo ou até por mais tempo.
Os novos nomes que ganham espaço na hierarquia possuem perfil tecnocrático, juventude relativa e vínculos estreitos com a base de sustentação do atual presidente.
A concentração de poder em torno da presidência reforça o comando imediato sobre a China, embora analistas alertem para riscos futuros decorrentes da falta de sucessores claros.
