Acionistas da Raízen aprovam plano de reestruturação de R$ 65 bilhões com divisão em duas empresas e aporte bilionário da Shell
Os acionistas da Raízen aprovaram medidas fundamentais para colocar em prática o plano de recuperação extrajudicial da companhia, que lida com uma dívida estimada em cerca de R$ 65 bilhões, conforme informação divulgada pelo mercado.
A crise financeira da empresa se intensificou após uma sequência de apostas arriscadas, safras desfavoráveis e preços baixos das commodities no mercado internacional, exigindo uma reestruturação profunda.
Com essa decisão histórica, a organização se prepara para uma divisão completa de suas operações, além de implementar um robusto aumento de capital para garantir a sobrevivência e a continuidade dos negócios.
Entenda o plano de aumento de capital e o suporte financeiro
O plano aprovado prevê um expressivo aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, envolvendo diferentes frentes de investimento e conversão de débitos.
Desse montante total, a Shell poderá aportar até R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta terá a possibilidade de contribuir com até R$ 500 milhões, caso decida participar da operação.
A estratégia também contempla a conversão de parte das dívidas dos credores em participação societária na empresa, oferecendo maior fôlego financeiro para o futuro.
A divisão das operações em duas companhias independentes
Uma das mudanças mais significativas aprovadas pelos acionistas é a separação da Raízen em duas companhias abertas, totalmente independentes e com ações negociadas na bolsa.
A chamada Raízen Energia ficará diretamente responsável pela produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, focando no setor sucroenergético.
Por outro lado, a Raízen S.A. concentrará todas as atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes sob a renomada marca Shell.
Novos conselhos e lideranças para a fase de transformação
As assembleias também definiram a formação dos novos conselhos de administração de ambas as empresas, que contarão com sete membros titulares e sete suplentes cada.
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Para presidir o conselho da distribuidora de combustíveis, foi indicado Samuel Aguirre, enquanto na empresa de etanol e bioenergia a indicação recaiu sobre Julio Cesar de Toledo Piza Neto.
A liderança executiva da distribuição ficará com Lorival Nogueira Luz Jr., e a operação de açúcar e etanol será comandada por Geovane Dilkin Consul, segundo os dados oficiais da companhia.
Declarações oficiais e os próximos passos da reestruturação
O CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, destacou que as decisões aprovadas dão total previsibilidade à reorganização e permitem dar continuidade ao plano de transformação.
Segundo o executivo, o trabalho realizado até o momento é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas e da disciplina no cumprimento dos compromissos assumidos.
Ele afirmou textualmente que o trabalho realizado até aqui é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas, e também da disciplina no cumprimento de todos os compromissos assumidos ao longo do processo de reestruturações da companhia.
