Em 14/09/2026, os primeiros‑ministros da Escócia, da Irlanda do Norte e do País de Gales reuniram‑se no País de Gales e formalizaram um memorando de entendimento no qual afirmam que «o tempo de Westminster está chegando ao fim» e pedem que o governo do Reino Unido se prepare para uma alteração constitucional.
Assinaram o acordo John Swinney (SNP, Escócia), Michelle O’Neill (Sinn Féin, Irlanda do Norte) e Rhun ap Iorwerth (Plaid Cymru, País de Gales). Mary Lou McDonald, presidente do Sinn Féin, classificou o encontro como «histórico» e defendeu o direito das nações de decidir o seu futuro.
«Para quem nos observa em todas estas ilhas, para quem nos observa em todo o mundo, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim», diz o memorando.
O documento acrescenta que «nenhum governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia ou minar o princípio de que o nosso povo decidirá o seu próprio futuro» e reconhece que «cada nação determinará seu próprio futuro à sua maneira e no seu próprio tempo».
Enquanto John Swinney e Michelle O’Neill defenderam a realização de referendos sobre a independência, o líder galês Rhun ap Iorwerth evitou estabelecer um cronograma e reiterou que o Plaid Cymru não promoverá uma consulta antes das próximas eleições para o Senedd, em 2030. Ap Iorwerth disse que pretende criar uma comissão nacional para «lançar as bases» de projetos futuros e busca a transferência de competências adicionais para o País de Gales, incluindo policiamento e políticas para jovens infratores.
O encontro ocorre pela primeira vez desde o fim da década de 1990, quando se iniciou o processo de descentralização de poderes, que resultou na criação de assembleias e parlamentos regionais. Desde as eleições de maio de 2026, as três nações têm chefes de governo favoráveis à independência, segundo o próprio memorando.
John Swinney afirmou que a vitória das forças nacionalistas em maio criou «uma situação» em que «seus países devem decidir seu próprio futuro» e descreveu Andy Burnham como «o último primeiro‑ministro do Reino Unido», numa frase que ressalta a intenção de pressionar por mudanças constitucionais.
Andy Burnham, primeiro‑ministro do Reino Unido, chegou a indicar na semana anterior que poderia aceitar a ideia de um segundo referendo na Escócia caso houvesse um apoio público claro — referência ao pleito de 2014, quando 55% votaram pela permanência no Reino Unido e 45% pela independência. Em seguida, ele esclareceu que outro referendo continua «fora de questão», embora tenha dito que o Acordo da Sexta‑Feira Santa (Good Friday Agreement), de 1998, estabelece condições para um plebiscito sobre a fronteira na Irlanda do Norte quando houver consenso claro e mudança de opinião pública.
Os governos galeses e escoceses também anunciaram a intenção de assinar um acordo sobre cooperação futura em áreas como energia, economia e relações com a Europa.
Reações políticas foram imediatas. O Partido Trabalhista e o Partido Reformista acusaram o Plaid Cymru de tentar desmembrar o Reino Unido. Parlamentares e líderes unionistas criticaram a iniciativa, defendendo que os chefes de governo deveriam concentrar‑se em problemas domésticos, como as listas de espera no NHS (Serviço Nacional de Saúde) galês e a queda de desempenho nas escolas. Entre as críticas registradas, Ken Skates (líder trabalhista no País de Gales) afirmou que o Plaid não apresentou propostas concretas desde as eleições; Darren Millar, líder conservador no Parlamento galês, pediu foco na saúde e na educação; e Dan Thomas, do Partido Reformista, disse que os líderes deveriam resolver problemas locais antes de perseguir a independência.
No cenário institucional, ministros galeses há muito reivindicam a revisão da fórmula de financiamento Barnett, que calcula automaticamente a distribuição de gastos públicos entre Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte — reivindicação que o governo do Reino Unido tem tratado com cautela. Burnham declarou‑se «aberto» a discutir a transferência de algumas competências, mas relativizou a possibilidade de reformulação ampla da fórmula.
Emma Little‑Pengelly, vice‑primeira‑ministra da Irlanda do Norte e membro do Partido Unionista Democrático (DUP), criticou Michelle O’Neill por participar das conversas, evidenciando as divisões políticas internas na região, onde o exercício do governo é compartilhado entre primeiro‑ministro e vice‑primeiro‑ministro.
Os líderes das regiões descentralizadas foram convidados a se reunir com o primeiro‑ministro do Reino Unido no mês seguinte para discutir as questões levantadas no memorando.
- Data do acordo: 14/09/2026.
- Principais signatários: John Swinney (Escócia, SNP), Michelle O’Neill (Irlanda do Norte, Sinn Féin) e Rhun ap Iorwerth (País de Gales, Plaid Cymru).
- Posições: Escócia e Irlanda do Norte a favor de referendos; País de Gales descarta consulta antes de 2030 e quer transferência de competências.
- Contexto histórico: processo de descentralização iniciado no fim da década de 1990; referendo escocês de 2014 (55% permaneceu, 45% a favor da independência); Good Friday Agreement (1998) prevê condições para referendo na Irlanda do Norte.
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