Ex‑ditador sírio Adib al‑Shishakli refugiou‑se em Ceres (GO) e foi assassinado em 27 de setembro de 1964
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Ex‑ditador sírio Adib al‑Shishakli refugiou‑se em Ceres (GO) e foi assassinado em 27 de setembro de 1964

Deposto em 1954, o general viveu como agricultor e comerciante no interior de Goiás; o crime foi atribuído a um conterrâneo da comunidade drusa e teve grande repercussão internacional.

Redação Portal Web Dicas 2 min de leitura Mundo

O general Mohamed Adib al‑Shishakli, que governou a Síria na primeira metade da década de 1950, foi morto a tiros em Ceres, no interior de Goiás, em 27 de setembro de 1964. O episódio ocorreu enquanto ele atravessava a ponte entre Ceres e a vizinha Rialma; testemunhas relataram que o ex‑presidente foi atingido por cinco disparos.

Chishakli havia chegado ao poder por meio de manobras militares e ocupou posições centrais no Exército e no governo sírio antes de ser deposto em 1954. Seu governo ficou marcado por medidas autoritárias, fechamento de partidos e uma ofensiva contra a população drusa em Jabal al‑Arab, que gerou forte animosidade entre esse grupo.

Após a queda, o ex‑ditador viveu na Arábia Saudita, França e Suíça e chegou ao Brasil em meados dos anos 1950. Passou cerca de oito meses no Rio de Janeiro e, depois, adquiriu uma grande propriedade em Pequizeiros (região que hoje pertence ao Tocantins). Insatisfeito com a terra, transferiu‑se para Ceres (GO), onde passou a trabalhar como produtor de arroz e dono de um comércio local; muitos moradores não sabiam da sua trajetória política internacional.

O autor do crime foi identificado como Nawaf (ou Nawaf Ben Youssef) Ghazaleh, membro da comunidade drusa residente no Brasil. Segundo depoimentos e reportagens da época, Ghazaleh abordou Chishakli, discutiu com ele em árabe e atirou. Após o assassinato, o criminoso fugiu por algumas horas — chegou a jantar e a ir ao cinema — antes de se entregar mais tarde; em entrevistas, declarou que agira por vingança pelos ataques ordenados por Chishakli contra os drusos, e citou números de mortos e atrocidades cometidas no passado. Ghazaleh acabou sendo julgado e absolvido.

O crime teve impacto além de Ceres: jornais, autoridades e diplomatas se mobilizaram nos dias seguintes, o corpo do ex‑presidente chegou a ser enterrado no município e, a pedido do governo sírio, foi exumado e levado de volta ao país após procedimentos técnicos. Anos depois, o assassino viveu em distintas cidades do país e morreu em 2005.

O caso é frequentemente lembrado como um exemplo das tensões políticas e sectárias da história síria projetando‑se sobre comunidades de emigrantes no exterior, onde ressentimentos gerados por repressões e conflitos internos acompanharam ex‑líderes mesmo décadas após o término de seus governos.

Leia também: Adib Shishakli — como o ex-ditador sírio foi assassinado em Ceres (Goiás) em 27 de setembro de 1964

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1 Comentário

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