Cade libera compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bilhões; negócio fortalece operadora em SP
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Cade libera compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bilhões; negócio fortalece operadora em SP

Operação envolve 73% das ações — R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívida líquida — e terá segunda etapa para aquisição dos 27% restantes

Redação Portal Web Dicas 3 min de leitura Economia

São Paulo, 14/09/2026 — O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, sem imposição de condições, a aquisição da provedora Desktop pela Claro em operação avaliada em R$ 4 bilhões. A companhia de telecomunicações amplia assim sua atuação no mercado de banda larga do estado de São Paulo, onde disputa a liderança com a Vivo.

Detalhes do acordo

A transação contempla inicialmente a compra de 73% do capital da Desktop. Do total de R$ 4 bilhões, R$ 2,4 bilhões correspondem ao valor atribuído a ativos da empresa e R$ 1,6 bilhão referem-se à dívida líquida, que será assumida pela Claro. A fatia de 73% equivale a 84 milhões de ações, negociadas pelos atuais acionistas, entre eles o fundo Makalu Brasil Partners — controlado pela gestora HIG Capital — e pessoas físicas, inclusive o fundador da Desktop, Denio Alves Lindo.

Em uma etapa posterior, a Claro deverá apresentar oferta para adquirir os 27% restantes das ações, que seguem sendo negociadas em bolsa.

Aval do Cade e avaliação sobre concorrência

Ao examinar a operação, o Cade identificou sobreposição de atuação entre Claro e Desktop em 198 municípios do estado de São Paulo. Em parte desses mercados, a soma das participações das duas empresas resultaria em participação elevada.

Apesar disso, o órgão concluiu que a compra não tende a prejudicar a concorrência. A decisão do Cade levou em conta a presença de outras grandes operadoras, além de provedores regionais e locais, e a possibilidade de entrada de novos concorrentes nos mercados afetados. O conselho também considerou a existência de outras redes de telecomunicações alternativas e o fato de que a integração poderia tornar redundantes trechos de infraestrutura, passíveis de desativação progressiva.

Situação regulatória e histórico recente

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia dado anuência prévia ao negócio em maio. Em outubro de 2025, entretanto, uma análise preliminar da Anatel havia sinalizado riscos potenciais para a concorrência e para a entrada de novos competidores caso a compra fosse concretizada.

O acordo entre Claro e Desktop foi anunciado oficialmente em março de 2026, após negociações que se arrastavam desde o final de 2025. Antes do avanço com a Claro, a Desktop chegou a manter conversas com a Vivo, mas as partes não chegaram a um entendimento sobre o preço.

Breve perfil da Desktop

Fundada em 1997 em Sumaré (interior de São Paulo), a Desktop atua como provedora de banda larga e atende majoritariamente clientes residenciais e empresariais no estado. A empresa opera redes próprias e oferece serviços via fibra óptica, tecnologia que proporciona maior velocidade e estabilidade na transmissão de dados. Também tem presença relevante em cidades pequenas e médias, competindo com grandes operadoras e provedores regionais.

Em 2020 a Desktop recebeu aportes da gestora americana HIG Capital; em 2021 passou a ter ações negociadas em bolsa.

Impacto no mercado

Com a operação, a Claro reforça sua capacidade de capilaridade em São Paulo, ampliando a oferta de fibra e a base de clientes em municípios onde a Desktop já atua. Analistas e concorrentes acompanharão a integração das redes e eventuais movimen­tações de preços e investimentos locais, que costumam influenciar a dinâmica competitiva no setor de banda larga.

Próximos passos

Além da eventual oferta pública para os 27% remanescentes, a operação segue sujeita aos trâmites corporativos e regulatórios usuais, incluindo a implementação prática da integração das redes. A decisão do Cade representa, até o momento, a principal aprovação administrativa exigida para que a transação avance.

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