Os principais índices acionários dos Estados Unidos abriram em queda nesta segunda-feira (14/09/2026), pressionados pela desvalorização de papéis ligados à inteligência artificial e pela alta do petróleo. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Dow Jones recuava 0,10%, aos 52.515 pontos; o S&P 500 cedia 0,30%, aos 7.634 pontos; e o futuro do Nasdaq caía 0,30%, a 26.255 pontos.
Motivos do recuo
O movimento negativo em Wall Street foi puxado por empresas de tecnologia, afetadas por declarações de executivos de grandes nomes do setor que defenderam uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA. Entre as referências citadas estão Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, ligado à xAI. Essas sinalizações aumentaram a aversão ao risco entre investidores.
Na sessão, a Nvidia, um dos principais papéis associados ao avanço da IA, perdia 2,9%, negociada a US$ 211,09.
Fed e dados econômicos no radar
Além das preocupações com tecnologia, o mercado acompanha com cautela a reunião de política monetária do Federal Reserve marcada para os dias 15 e 16 de setembro de 2026. A expectativa sobre uma possível elevação da taxa básica de juros permanece, em meio a sinais de robustez no mercado de trabalho e à alta de 0,4% nos preços ao produtor em agosto, que adicionam pressão sobre a política monetária.
O Fed manteve a taxa na faixa de 3,50% a 3,75% nos cinco encontros anteriores. O índice de preços ao consumidor (CPI), cuja divulgação estava prevista para o dia seguinte à reportagem, é visto como um dado crucial antes da decisão dos diretoria do banco central. Segundo o relatório, existe uma aposta firme no mercado de que o Fed poderá subir os juros para conter a inflação; o texto também registra que Kevin Warsh, indicado recentemente à presidência do Fed, não promoveu aumentos desde sua posse em maio.
Desempenho na Europa e Ásia
As Bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa, pressionadas pela liquidação em ações de semicondutores após os alertas sobre IA e pela alta do petróleo, que reacende temores inflacionários antes de decisões de juros em várias jurisdições. Em Frankfurt, o DAX recuou 0,6%, aos 25.415,06 pontos; em Paris, o CAC 40 caiu 0,76%, aos 8.117,78 pontos; em Milão, o FTSE MIB perdeu 1,68%, aos 51.628,77 pontos; em Madri, o Ibex 35 cedeu 1,38%, aos 19.565,50 pontos; e em Lisboa o PSI 20 caiu 1,52%, aos 9.380,30 pontos.
No setor de chips, empresas como Infineon, STMicroelectronics e ASML registraram quedas expressivas de 7,9%, 6,8% e 6,2%, respectivamente; Soitec caiu 12,8% e Siltronic 9%. Siemens Energy, com exposição a data centers, recuou 8,3%.
Na Ásia, prevaleceram perdas também ligadas ao setor de tecnologia. O índice Kospi da Coreia do Sul fechou em baixa de 3,3%, aos 6.684,37 pontos; SK Hynix caiu 6,4% e a Samsung Electronics perdeu 4%. Em contraste, ações da Hybe subiram 1,56% em Seul. Na China continental, o Xangai Composto terminou praticamente estável, com variação de -0,07%, aos 3.885,33 pontos; Shenzhen caiu 0,1%, aos 2.464,29 pontos. Em Taiwan, o Taiex caiu 0,7%, para 45.862,52 pontos, enquanto o Hang Seng de Hong Kong avançou 0,5%, aos 24.917,60 pontos.
Petróleo em alta
O barril de Brent abriu a semana em forte alta, negociado a US$ 108,48 às 13h30 (Brasília), avanço de 3,7%. A valorização reflete receios sobre oferta em meio a interrupções logísticas na região do Golfo Pérsico e danos a um grande oleoduto da Arábia Saudita que segue rumo ao Mar Vermelho.
Analistas do mercado alertaram que, se a infraestrutura não voltar a operar em poucos dias, a perda de oferta poderia chegar a cerca de 4% do abastecimento global, intensificando pressão sobre os preços da energia. O cenário reativa temores de inflação que já afetaram a tônica das negociações nas bolsas.
Atualização
Esta reportagem foi publicada em 14/09/2026 às 06h55 e atualizada às 13h30 (horário de Brasília).
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