O dólar comercial terminou a sessão desta segunda-feira (14) em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,1472, tendo registrado máxima intradia de R$ 5,1823. No mesmo pregão, o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,91%, para 185.501 pontos.
A movimentação reflete uma combinação de fatores: aumento da aversão ao risco diante de novos ataques no Oriente Médio, discussões sobre o ritmo de avanço da inteligência artificial e a proximidade das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Principais fatores que moveram o mercado
- Tensão no Oriente Médio: ataques recentes na Arábia Saudita e no Estreito de Ormuz pressionaram o petróleo. O oleoduto Leste–Oeste da Arábia Saudita foi fechado temporariamente após ataque com drones; a interrupção pode afetar até 4% do abastecimento global.
- Expectativa por juros: investidores aguardam as decisões do Banco Central do Brasil (Copom) e do Federal Reserve (Fed), ambas previstas para quarta-feira (16). No mercado brasileiro, há expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano. Nos EUA, o consenso aponta para nova alta de juros.
- Debate sobre IA: executivos do setor defenderam uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial por motivos de segurança, o que trouxe volatilidade às ações de tecnologia.
- Cenário político doméstico: a crise envolvendo mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro elevou a cautela local. Relatório da Polícia Federal mostrou troca de 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025; uma sessão do Supremo Tribunal Federal para analisar o caso está prevista para terça-feira (15), presidida por Luiz Edson Fachin. Além disso, há movimentações relacionadas à retirada do sigilo sobre dados de pagamentos ligados a Vorcaro por decisão do ministro André Mendonça.
- Proximidade das eleições: a disputa presidencial em outubro, com pesquisa Datafolha recente apontando empate técnico em eventual 2º turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (46%) e Flávio Bolsonaro (44%), também contribui para maior cautela no mercado.
Commodities e índices internacionais
O petróleo reagiu aos ataques: o Brent, referência internacional, subiu 1,49%, a US$ 106,17 o barril; o WTI avançou 1,75%, a US$ 101,80 o barril. Esses movimentos reacendem preocupações sobre oferta e pressões inflacionárias.
Nos Estados Unidos, os três principais índices fecharam em baixa nesta segunda: Dow Jones (-0,29%), S&P 500 (-0,47%) e Nasdaq Composite (-0,56%). Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,49%; entre os principais mercados, o DAX da Alemanha caiu 0,50% e o CAC-40 da França recuou 0,76%, enquanto o FTSE 100 do Reino Unido subiu 0,44%.
Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam majoritariamente em queda: SSEC (-0,1%) e CSI300 (-0,7%), com o Hang Seng de Hong Kong subindo 0,45%. O Nikkei do Japão recuou 0,81% e o Kospi da Coreia do Sul teve queda de 3,26%.
Dados e acumulações
- Dólar: acumulado na semana +0,43%; no mês -0,63%; no ano -6,22%.
- Ibovespa: acumulado na semana -0,91%; no mês +4,56%; no ano +15,13%.
- Inflação: o IBGE informou que o IPCA caiu 0,32% em agosto, a maior queda desde 2022, reforçando expectativas de cortes de juros no Brasil.
O que fica de olho nesta semana
- Quarta-feira (16): decisões de política monetária do Copom e do Fed, que devem ditar parte do direcionamento do câmbio e das taxas no curto prazo.
- Terça-feira (15): sessão do STF para analisar o relatório com as mensagens entre Moraes e Vorcaro, evento incomum que aumenta a incerteza política doméstica.
- Desdobramentos dos ataques no Oriente Médio e a resposta das autoridades internacionais, que podem impactar preços do petróleo e pressões inflacionárias globais.
Com informações sobre cotações, índices e comunicados oficiais divulgados ao mercado na segunda-feira, investidores permaneceram em alerta, realocando posições antes das decisões de juros que prometem trazer maior volatilidade aos ativos nos próximos dias.
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