Trump rejeita proposta do Irã para reabrir Estreito de Ormuz e sinaliza retomada de bombardeios após eleições de novembro
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Trump rejeita proposta do Irã para reabrir Estreito de Ormuz e sinaliza retomada de bombardeios após eleições de novembro

Teerã apresentou um plano de sete dias para cessar hostilidades e liberar a passagem marítima; negociação espera resposta dos EUA, enquanto Trump demonstra ceticismo nos bastidores

Redação Portal Web Dicas • • 3 min de leitura • Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que rejeitará a proposta iraniana para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, e disse a integrantes de sua equipe que considera provável a retomada de uma campanha de bombardeios após as eleições de meio de mandato em novembro, segundo relatos publicados nesta sexta-feira (25).

Autoridades iranianas anunciaram em Nova York que o país entregou aos Estados Unidos, por intermédio do Catar, um plano concreto para reabrir o estreito em até sete dias, caso sejam cumpridas determinadas condições. O documento foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, ao enviado americano Steve Witkoff durante a participação iraniana na Assembleia Geral da ONU.

Araghchi afirmou que, se requisitos específicos forem atendidos, o tráfego marítimo habitual no Estreito de Ormuz poderia ser restabelecido em sete dias e as negociações subsequentes teriam início. Ele disse ainda que aguarda uma resposta de Washington e que a China apoia a proposta.

Entre as condições apresentadas pelo Irã estão:

  • cessação de sete dias de todas as hostilidades no Oriente Médio, inclusive no Líbano;
  • desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões;
  • levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano;
  • fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã;
  • condições relacionadas ao conflito no Iêmen, incluindo o fim das hostilidades envolvendo grupos aliados ao Irã.

De acordo com representantes de Teerã, o plano prevê que, no sétimo dia da cessação das hostilidades, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. O governo iraniano disse, porém, que não aceitará coerção, ameaças ou intimidação e que cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrar o conflito.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em discurso na Assembleia Geral da ONU que Teerã está disposto a negociar um acordo para pôr fim à guerra e questionou por que um acordo anterior teria sido rompido poucas semanas após sua assinatura. Em entrevistas e declarações públicas, Pezeshkian também negou que o grupo houthi, no Iêmen, receba ordens diretas do Irã, afirmando que os houthis respondem por suas próprias ações.

O governo iraniano exige ainda que embarcações que pretendam atravessar o estreito obtenham autorização do país, alegando motivos de segurança e soberania. Em meio ao confronto, houve ataques a navios que não atenderam à exigência e contra alvos na costa iraniana por parte dos Estados Unidos.

Fontes iranianas afirmaram que a proposta foi comunicada por canais diplomáticos e que ainda não houve resposta oficial de Washington. Autoridades americanas, segundo relatos, seguem céticas sobre a disposição do Irã em atender às exigências impostas pelos EUA e, nos bastidores, Trump teria indicado à sua equipe a possibilidade de retomar operações militares após as eleições de novembro se achar necessário.

O Estreito de Ormuz é um ponto estratégico para o comércio global de petróleo: grande parte do petróleo mundial passa pela região, o que torna qualquer interrupção no tráfego marítimo um fator de risco para os mercados internacionais e para a segurança energética de diversos países.

Autoridades iranianas e americanas mantêm posições divergentes desde um acordo assinado em junho, cujo objetivo anunciado era encerrar o conflito, reabrir o estreito e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo representantes dos dois lados, o entendimento foi interpretado de maneiras diferentes, o que contribuiu para a reativação das hostilidades na região.

Até o momento desta publicação, não havia declaração pública de Washington aceitando as condições do Irã nem um comunicado oficial de Teerã com detalhamento adicional sobre o cronograma da proposta.

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