A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, na sexta-feira (25/09/2026), que a bandeira tarifária para o mês de outubro será verde. Na prática, isso significa que as contas de luz não terão taxa adicional relacionada à bandeira neste mês.
Segundo a agência, a transição entre o período seco e o úmido em parte das principais bacias hidrográficas do país provocou um aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste. Esse incremento contribuiu para a estabilização dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas e, com isso, reduziu a necessidade de acionar usinas termelétricas — fontes de geração mais caras que costumam elevar os custos repassados ao consumidor.
A Aneel ressaltou que a melhora nas condições de armazenamento permite reduzir o despacho de fontes mais onerosas e, portanto, evitar a aplicação de cobranças extras na conta de energia.
Desde maio, a bandeira vigente havia sido a amarela, que acrescentava R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos (equivalente a R$ 18,85 por MWh). A mudança para verde suspende essa cobrança adicional para outubro.
Na semana anterior ao anúncio, a agência havia revisto para cima sua projeção de aumento das tarifas de energia no ano, elevando-a para 9,4%. A revisão foi justificada pelo impacto da inflação, pelo encarecimento de componentes de custo de energia e por efeitos de natureza financeira que influenciam as bandeiras e a formação das tarifas.
Como funciona o sistema de bandeiras
O mecanismo de bandeiras da Aneel informa ao consumidor as condições de geração de energia e a necessidade ou não de cobrança extra na conta. Em períodos de pouca chuva, quando a geração hidrelétrica diminui, há maior acionamento de termelétricas — o que aumenta o custo de produção e pode levar à aplicação de bandeiras com tarifas adicionais.
- Bandeira verde – condições favoráveis de geração: sem custo adicional;
- Bandeira amarela – condições menos favoráveis: R$ 18,85 por MWh utilizado (ou R$ 1,88 a cada 100 kWh);
- Bandeira vermelha – patamar 1 – condições desfavoráveis: R$ 44,63 por MWh utilizado (ou R$ 4,46 a cada 100 kWh);
- Bandeira vermelha – patamar 2 – condições muito desfavoráveis: R$ 78,77 por MWh utilizado (ou R$ 7,87 a cada 100 kWh).
As bandeiras são revisadas periodicamente pela Aneel, que avalia dados hidrológicos e custos de operação do sistema. Mudanças no regime de chuvas, na disponibilidade de usinas e em preços de combustíveis e insumos podem influenciar o nível acionado em cada mês.
Para o consumidor, a mudança para a bandeira verde significa que não haverá cobrança extra associada ao mecanismo de bandeiras na fatura de outubro — embora o valor final da conta continue dependente do consumo e de outros componentes tarifários.
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