Brasil

PF cumpre mandados contra Cezinha de Madureira na 3ª fase da Operação Transparência por suspeita de tráfico de influência

Investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, mira o deputado federal e sua esposa por negociação de pagamentos vinculados a decisões em tribunais superiores

Redação Portal Web Dicas 3 min de leitura Brasil

Por Guilherme Grandi — 14/09/2026. Atualizado em 14/09/2026 às 14:50.

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (14/9), a terceira fase da chamada Operação Transparência para apurar suposto esquema de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas regiões do Distrito Federal e de São Paulo.

O novo desdobramento da investigação tem como alvo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e sua esposa, Valéria Rodrigues Linhares. Segundo a apuração, integrantes do grupo teriam oferecido a terceiros a intermediação de decisões judiciais mediante o recebimento de valores altos, condicionando o pagamento ao resultado de processos em curso e alegando capacidade de influenciar magistrados em instâncias superiores.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que não foram identificados, até o momento, elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Relações e contexto

Investigadores apontam que Cezinha de Madureira mantém relação de proximidade com o ministro André Mendonça, do STF, e que teria viabilizado um contato entre o magistrado e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master. A operação ocorre um dia antes do julgamento no Supremo sobre o relatório da Polícia Federal que revelou mensagens e diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes; o documento judicial aponta, no texto da decisão, alinhamentos políticos entre autoridades.

Desdobramento de investigação sobre emendas

A terceira fase integra o aprofundamento de um inquérito iniciado em dezembro de 2025, que apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Na etapa inicial, a principal investigação mirou Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) — Lira não foi alvo formal da operação.

Na primeira fase, agentes fizeram buscas em espaços ligados a Mariângela na Câmara e em sua residência, além de apreenderem um aparelho celular. Na decisão que autorizou diligências naquela ocasião, o ministro Flávio Dino citou elementos como relatos de parlamentares, documentos, planilhas e dados telemáticos, e apontou alterações manuais nas destinações de recursos, procedimento que descreveu como de caráter informal. Parte dos recursos apurados teria sido destinada à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), onde Mariângela exercia função como conselheira fiscal.

Na decisão, Dino sustenta que há indícios de que Mariângela teria exercido controle sobre indicações desviadas de emendas do orçamento secreto, favorecendo uma estrutura organizada para desviar recursos públicos e praticar crimes contra a administração pública e o sistema financeiro.

Depoimentos e provas

O avanço da investigação contou com depoimentos de deputados e senadores, além de servidores da Câmara. Entre os parlamentares ouvidos estão Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), assim como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). A servidora Elza Carneiro também prestou declarações que integraram o conjunto probatório.

Posicionamento dos citados

A defesa do deputado Cezinha de Madureira declarou que ele confia no funcionamento da Justiça, que está à disposição das autoridades e prestará os esclarecimentos necessários. A defesa afirmou ainda que, com a garantia do contraditório e do acesso integral aos elementos da investigação, as alegações serão esclarecidas e que medidas de grande repercussão deveriam ser conduzidas com distância de qualquer vinculação a pautas políticas ou eleitorais.

Não houve indicação, até a última atualização desta reportagem, de manifestação pública da esposa Valéria Rodrigues Linhares sobre a operação.

A investigação segue em curso e novos desdobramentos poderão surgir à medida que as diligências e a análise do material apreendido avançarem.

Leia também: Mesários devem usar CPF como chave Pix para receber auxílio‑alimentação nas Eleições 2026

Leia também

1 Comentário

  1. Por que recomendo Odisseia de Christopher Nolan: uma leitura moderna de Homero – Portal Web Dicas Responder

    […] Leia também: PF cumpre mandados contra Cezinha de Madureira na 3ª fase da Operação Transparência por suspeita… […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *