Ministério Público de São Paulo pede prisão de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, por suposta coação de testemunha e risco às investigações
O Ministério Público de São Paulo apresentou um pedido de prisão preventiva contra Armando Mendonça, que atua como vice-presidente do Corinthians, sob a acusação de que a demissão de uma testemunha importante pode prejudicar o andamento de um processo criminal em curso.
A solicitação foi protocolada nesta sexta-feira na 25ª Vara Criminal da capital paulista e envolve suspeitas de irregularidades relacionadas a materiais esportivos fornecidos pela empresa Nike ao clube alvinegro, gerando grande repercussão nos bastidores esportivos e jurídicos.
Conforme informação publicada inicialmente pelo portal ge e confirmada pelo UOL, a defesa do dirigente classificou a medida como abusiva e afirmou que a acusação se aproveita de conflitos políticos internos para tentar reverter decisões judiciais anteriores.
O contexto da demissão de Marcelo Munhoes e a preocupação da promotoria
O pedido de prisão surgiu logo após a saída de Marcelo Munhoes do cargo de diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians. Ele foi o responsável por produzir dados técnicos fundamentais que embasam as investigações atuais conduzidas pela promotoria.
Para o Ministério Público, Munhoes é considerado uma testemunha essencial e uma vítima de coação no processo, pois relatou ter perdido o acesso aos sistemas corporativos e contas de e-mail após sua saída repentina da diretoria.
A preocupação das autoridades vai além do caso individual, pois a promotoria avalia que a demissão pode servir como um sinal de intimidação para outros funcionários que foram chamados a prestar depoimento em audiência marcada para o próximo mês de novembro.
A visão do Ministério Público sobre o clima político no clube
Segundo os promotores responsáveis pelo caso, os demais colaboradores convocados para depor podem interpretar a dispensa de Munhoes como uma punição severa por declarações contrárias aos interesses da atual administração do Corinthians.
Entre os funcionários chamados para falar à Justiça estão nomes como Reginaldo Prados do Nascimento, Francisco V. Godoy Silva e Leandro Jorge Ribeiro, cuja liberdade para depor estaria ameaçada pelo clima de pressão interna relatado no processo.
O documento também menciona declarações dadas pelo presidente do clube, Osmar Stabile, em defesa de Armando Mendonça e em críticas abertas à atuação da promotoria, o que reforçaria o entendimento de um possível alinhamento para constranger testemunhas.
A defesa de Armando Mendonça nega envolvimento e aponta abusos
Em nota oficial divulgada à imprensa, a defesa de Armando Mendonça manifestou espanto com a petição e afirmou que o Ministério Público utilizou um episódio político interno para tentar obter medidas cautelares que já haviam sido negadas pela Justiça.
Os advogados argumentam que a nomeação e a demissão de diretores são prerrogativas exclusivas da Presidência do clube, destacando que não existem provas materiais de que o vice-presidente tenha participado do desligamento de Munhoes do cargo diretivo.
A defesa declarou textualmente na nota que a manifestação é notoriamente abusiva, por desconsiderar que a dispensa representa evento próprio ao ambiente político do Sport Club Corinthians Paulista, mormente se considerada a existência de informações de que o diretor dispensado se habilitou como candidato em chapa pertencente à oposição, para fins de disputa de cargo na futura eleição do Clube.
Próximos passos do processo e desdobramentos na Justiça
Além de pedir a prisão preventiva do dirigente, a promotoria solicitou a aplicação de outras restrições e anunciou a abertura de uma investigação paralela para apurar os motivos reais da demissão do ex-diretor de tecnologia.
O Corinthians e os citados seguem acompanhando os desdobramentos judiciais, enquanto a defesa informou que levará o caso aos órgãos correicionais competentes para questionar a atuação do promotor responsável pela investigação atual.
O novo pedido de prisão e os argumentos apresentados por ambas as partes serão avaliados pelo Poder Judiciário, que decidirá os rumos das medidas cautelares e o andamento das investigações sobre o clube alvinegro.
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