Por Alexandro Martello — Brasília
Atualizado em 14/09/2026
Os analistas consultados pelo Boletim Focus reduziram as previsões de inflação e também revisaram para baixo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, segundo a pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central (BC). O levantamento reúne respostas de mais de 100 instituições financeiras, com referência à semana anterior.
Para 2026, a mediana das expectativas de inflação recuou de 5,0% para 4,9% ao ano. A queda nas projeções ocorreu mesmo com tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionaram o preço do petróleo e, por consequência, podem encarecer combustíveis e impactar os preços domésticos. Na tentativa de amenizar esse efeito, o governo anunciou na semana passada medidas que reduzem tributos sobre a gasolina e mantêm subsídios ao diesel.
O mercado também manteve a expectativa de sucessivos cortes na taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, após quatro reduções ao longo de 2026. A projeção dos economistas para a Selic ao fim de 2026 ficou em 13,75% ao ano, incorporando a expectativa de mais uma redução este ano. Para o fim de 2027 e 2028, as estimativas do mercado permaneceram em 12% e 10,50% ao ano, respectivamente.
Em relação ao crescimento econômico, a previsão para o PIB de 2026 foi ajustada para 1,89% — ante 1,93% na leitura anterior — sinalizando uma desaceleração em comparação ao salto registrado em 2025, quando o IBGE apontou expansão de 2,3%.
Para 2027, os analistas reduziram levemente a projeção de crescimento do PIB: a previsão passou de 1,50% para 1,45%.
Outros números divulgados pelo Focus mostram ajustes nas expectativas de inflação para anos seguintes:
- 2027: passou de 4,29% para 4,30%;
- 2028: permanece em 3,80%;
- 2029: fica estável em 3,50%.
Sobre o câmbio, o mercado manteve a estimativa para a taxa de câmbio ao fim de 2026 em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção recuou de R$ 5,30 para R$ 5,28 por dólar.
Analistas ressaltam que, em ano eleitoral, medidas de estímulo fiscal e políticas públicas voltadas ao consumo podem ampliar a demanda interna — cenário que tende a complicar o controle da inflação. Por isso, o BC tem enfatizado que uma desaceleração do crescimento pode ser uma consequência desejada para reduzir pressões inflacionárias.
Por que isso importa: inflação mais alta corrói o poder de compra da população, sobretudo dos rendimentos mais baixos, enquanto trajetória dos juros e do câmbio afeta crédito, investimentos e os preços de bens importados.
Contexto internacional: a pesquisa do Focus incorpora também incertezas externas. Na semana passada, houve alta do petróleo após ataques na região, e lideranças internacionais deram declarações sobre o desfecho do conflito, fatores que ajudam a explicar parte da volatilidade observada nas projeções.
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