Mendonça retira sigilo de processo do caso Master após pedido de Moraes e aval da PGR
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Mendonça retira sigilo de processo do caso Master após pedido de Moraes e aval da PGR

Decisão do ministro do STF libera a Pet 15.645 com informações financeiras sobre Daniel Vorcaro e empresas; relatórios apontam R$389 milhões em operações e R$57,1 milhões vinculados à Igreja Batista da Lagoinha

Redação Portal Web Dicas 4 min de leitura Brasil

Por Vinicius Macia e Juliet Manfrin

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, a retirada do sigilo da Pet 15.645, processo que reúne dados de inteligência financeira relacionados à investigação conhecida como caso Master, na qual o banqueiro Daniel Vorcaro figura entre os principais alvos.

A abertura dos autos atendeu a um pedido formulado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestar concordância com solicitação do ministro Alexandre de Moraes. A medida antecede julgamentos em sessão extraordinária da Corte.

Fontes que acompanham o processo avaliam, porém, que trechos dos documentos ainda poderão permanecer sob sigilo. Segundo uma dessas fontes, há nomes de investigados que têm foro privilegiado; a exposição integral dos autos poderia revelar a trajetória completa dos recursos atribuídos ao esquema Master, inclusive eventuais triangulações para pagamentos suspeitos.

Em manifestação dirigida a Fachin, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que a Pet 15.645 não constava na consulta processual disponível ao Ministério Público Federal (MPF), motivo pelo qual a PGR não havia requerido a abertura dos autos em momento anterior. A PGR sustentou que o documento é relevante para que os membros da Corte compreendam a extensão dos fatos debatidos e, por isso, defendeu a retirada do sigilo.

O processo passou a tramitar depois que a Polícia Federal solicitou acesso integral a comunicações que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia mantido sob reserva. O Coaf havia retido trechos que mencionavam pessoas com indicação de possível foro no STF ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a PF, a ausência desses registros criava uma “lacuna no rastreamento financeiro”, prejudicando a compreensão da cadeia de repasses e a identificação de beneficiários dos recursos investigados.

Circulou entre membros do Judiciário a informação de que o ministro Alexandre de Moraes buscava, entre outros elementos, registros de pagamentos ao Instituto Iter, do qual André Mendonça foi sócio até o início da crise envolvendo os casos em análise. Nos relatórios já divulgados, entretanto, não há referência ao instituto.

Igreja da Lagoinha movimentou R$ 57,1 milhões

Os documentos que fazem parte da Pet 15.645 descrevem operações e movimentações que, somadas, chegam a cerca de R$ 389 milhões — cifra que agrega diferentes tipos de transações, como giro bancário, valores ligados a imóveis e garantias fiduciárias, mas que não implica, por si só, a comprovação de ilícito.

Entre as entidades citadas, a maior destinatária de créditos identificados é a Igreja Batista da Lagoinha, com R$ 28,5 milhões apontados como créditos em relatórios do Coaf; o total de movimentações atribuídas à instituição no documento chega a R$ 57,1 milhões no período entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O maior remetente identificado foi o pastor Fabiano Zettel — líder da igreja e cunhado de Daniel Vorcaro —, com R$ 19,2 milhões registrados.

Os relatórios apontam ainda quatro transferências da ordem de R$ 120 mil originadas na conta de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Há anotações classificadas como atípicas, entre elas uma transferência de R$ 3,9 milhões do Banco Master para a Amando Vidas Produtora e Gravadora, empresa ligada ao grupo empresarial da Lagoinha.

Os documentos descrevem um fluxo de recursos que transitava por uma cadeia complexa de fundos de investimento e, após resgates em certificados de depósito bancário (CDBs), eram repassados para contas pertencentes à Super Empreendimentos — empresa que, segundo as investigações, funcionaria como um dos braços destinados à lavagem de valores do esquema. Em decisão recente, Mendonça determinou a suspensão das atividades da Super Empreendimentos.

As autoridades responsáveis pela investigação foram contatadas no decorrer do processo. A Igreja Batista da Lagoinha também recebeu pedido de esclarecimentos; o espaço para manifestação permanece aberto.

Esta matéria foi publicada em 14/09/2026 às 13:05 e atualizada em 14/09/2026 às 14:04.

Leia também: Moraes, Vorcaro e o caso de R$131 milhões: o que está em jogo no STF

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1 Comentário

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