O general Adib Shishakli, que chefiou o governo da Síria entre 1953 e 1954, foi assassinado em 27 de setembro de 1964 na região entre as cidades de Ceres e Rialma, no interior de Goiás. O autor dos disparos foi um sírio de origem drusa que residia no Brasil e declarou agir em retaliação às repressões promovidas por Shishakli quando esteve no poder.
Shishakli chegou ao poder por meio de um golpe militar e permaneceu à frente do país até ser derrubado em 1954; após o fim do governo, partiu para o exílio, inicialmente no Líbano e, posteriormente, para o Brasil, onde se instalou no interior goiano. Durante seu curto regime, foram relatadas ações duras contra opositores e minorias, entre elas a comunidade drusa, que mais tarde justificariam hostilidade contra ele.
No Brasil, Shishakli mudou-se para o Estado de Goiás e chegou a adquirir terras; estabeleceu-se em Ceres, onde viveu como agricultor e integrou-se à comunidade local antes de ser alvo do atentado que terminaria em sua morte. Registros contemporâneos e reportagens históricas documentam sua presença pública na cidade e a surpresa da população com o episódio.
O ataque ocorreu enquanto Shishakli atravessava uma via entre Ceres e Rialma: o agressor aproximou-se, trocou poucas palavras e disparou contra o ex-presidente cinco vezes, segundo relatos da época e notas de imprensa que cobriram o caso. O corpo foi inicialmente sepultado no cemitério local.
O motivo invocado pelo autor do crime estava ligado às ações militares ordenadas por Shishakli contra comunidades drusas na Síria, que haviam sofrido bombardeios e perseguições durante seu governo; a execução foi interpretada por parte da comunidade síria expatriada como um ato de vingança política. O atirador — identificado em registros como Nawaf (ou Nawal) Ghazaleh — foi julgado posteriormente e sua trajetória no Brasil e na Síria recebeu cobertura jornalística.
Após a morte, autoridades diplomáticas trataram da repatriação do corpo: houve procedimentos de embalsamamento e transporte para fora de Goiás antes da transferência para a Síria, conforme documentação e reportagens publicadas na época. O episódio repercutiu internacionalmente por envolver um antigo chefe de Estado assassinado em solo brasileiro.
Ao longo das décadas, a história de Shishakli em Ceres permaneceu como um caso exemplar de exílio político que terminou em violência, lembrado tanto pela comunidade local quanto por estudos sobre imigração e política do Oriente Médio no Brasil.
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