Ex-diretor Fabio Soares expõe bastidores do Corinthians, relata pressões internas e detalha investigação sobre contrato de segurança particular
Os bastidores do Sport Club Corinthians Paulista ganharam novos capítulos após revelações feitas por um ex-integrante da gestão do clube. Em depoimento por escrito enviado ao Ministério Público de São Paulo, o ex-diretor administrativo Fabio Soares Souza detalhou um cenário de intensa turbulência política, marcando sua passagem pela instituição com fortes críticas à atual administração.
A manifestação faz parte das investigações conduzidas pelo promotor Cassio Conserino, que apura a contratação da empresa Bear Security Ltda., responsável pela segurança particular do presidente Osmar Stabile. O caso gerou ampla repercussão no meio esportivo e judicial, respingando em diferentes setores da diretoria corintiana.
Conforme informação divulgada pela ESPN, o ex-dirigente não poupou palavras ao relatar o funcionamento interno do clube e o impacto pessoal que sofreu após o escândalo vir à tona, revelando detalhes sobre como as decisões eram tomadas no Parque São Jorge.
O funcionamento da presidência e a contratação da segurança
No documento enviado aos promotores, Fabio Soares afirmou categoricamente que o presidente Osmar Stabile concentrava o poder de decisão na administração do clube. Segundo o relato, cabia ao mandatário definir as ações, enquanto os demais diretores apenas cumpriam as ordens estabelecidas pela cúpula presidencial.
O ex-diretor argumentou que a contratação da Bear Security Ltda. chegou até a sua pasta como uma realidade já estabelecida pela presidência. De acordo com a defesa apresentada, o setor administrativo não participou da escolha dos fornecedores, da negociação de preços ou da definição do escopo dos serviços contratados.
Apesar de o contrato ter passado por instâncias como o Jurídico, o Compliance e o Financeiro, o ex-dirigente reforçou que todas as etapas tinham uma única origem, que seria a vontade exclusiva do presidente Osmar Stabile, eximindo sua diretoria de qualquer responsabilidade sobre eventuais desvios de finalidade.
Assassinato de reputação e o desabafo emocionado
Em uma manifestação pessoal incluída no processo, Fabio Soares fez um longo desabafo direcionado ao Ministério Público. Ele relembrou a forte ligação de sua família com o Corinthians, citando que seu avô possuía a carteirinha de associado número 513, refletindo gerações de amor genuíno pelo clube alvinegro.
O ex-dirigente afirmou ter sofrido o que chamou de um verdadeiro assassinato de reputação, vendo seu nome associado a decisões que garantiu não ter tomado. Ele destacou que o desgaste atingiu diretamente sua esposa e seus filhos, destruindo uma imagem construída ao longo de toda a sua vida profissional.
No texto, o ex-diretor declarou que o clube vive atualmente em um ambiente considerado por ele como radioativo, isolando pessoas bem-intencionadas e descartando colaboradores sem o mínimo respeito, deixando um alerta severo para quem deseja se aproximar do poder político da instituição.
A denúncia do Ministério Público e a defesa da presidência
O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra Osmar Stabile por crime de apropriação indébita continuada, sustentando que o dirigente utilizou recursos financeiros da instituição para custear despesas particulares de segurança privada, inclusive beneficiando familiares fora das dependências do clube.
Por sua vez, a defesa do presidente argumentou perante a Justiça que os gastos decorrem de riscos reais e graves à integridade física do cartola, motivados por ameaças frequentes e episódios de invasão registrados ao longo de sua gestão à frente do Corinthians.
Enquanto o processo segue em tramitação no Poder Judiciário e o Ministério Público reforça as acusações sobre o uso irregular de verbas, a diretoria do Corinthians optou por não se manifestar publicamente sobre o teor das declarações prestadas pelo ex-diretor administrativo.
