Uma investigação com 390.124 adultos saudáveis concluiu que o uso diário de multivitamínicos não está associado a ganho de longevidade — ou seja, não reduziu o risco de morte ao longo do período estudado.
Os dados vêm da combinação de três coortes prospectivas dos Estados Unidos: National Institutes of Health–AARP Diet and Health Study (327.732 participantes), Prostate, Lung, Colorectal, and Ovarian Cancer Screening Trial (42.732) e Agricultural Health Study (19.660). O acompanhamento totalizou cerca de 7,86 milhões de person‑years, com mediana de seguimento por participante de aproximadamente 23,5 anos. Ao longo do período foram registradas 164.762 mortes.
Os autores ajustaram os modelos por idade, sexo, etnia, educação, índice de massa corporal, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, qualidade da dieta e uso de suplementos individuais, entre outros fatores. Em análises estratificadas pelo tempo de seguimento, o risco relativo multivariável apontou uma razão de risco (HR) de aproximadamente 1,04 (IC 95% aproximado: 1,02–1,07) na primeira metade do acompanhamento e 1,04 (IC 95%: 0,99–1,08) na segunda, resultado interpretado pelos pesquisadores como ausência de benefício em termos de mortalidade.
O estudo também lembra que cerca de um em cada três adultos nos EUA relata uso regular de multivitamínicos, muitas vezes motivado pela expectativa de prevenção de doenças e aumento da longevidade — expectativa que não foi corroborada por esta análise.
Pesquisadores e organizações de saúde já haviam apontado lacunas nas evidências: revisões anteriores e posicionamentos de órgãos de saúde pública indicam que não há evidência suficiente para recomendar multivitamínicos como estratégia de prevenção de doenças crônicas ou para redução da mortalidade em adultos saudáveis. Estudos clínicos randomizados têm limitações de tempo de seguimento e de generalizabilidade, e estudos observacionais, como o atual, não provam causalidade.
Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam que suplementos podem ser indicados para corrigir deficiências nutricionais comprovadas (por exemplo, vitaminas específicas em populações com risco de carência), mas esse uso é distinto da recomendação de consumo generalizado com objetivo de prolongar a vida. Decisões sobre suplementação devem considerar avaliação clínica e exames que comprovem necessidade.
Em resumo: dados observacionais robustos e com longo seguimento não mostraram que tomar multivitamínicos diariamente prolongue a expectativa de vida entre adultos inicialmente sem doenças crônicas; eventual uso contínuo para prevenção generalizada não encontra respaldo nas evidências reunidas por este estudo.
Leia também: ANS determina cobertura do DIU hormonal em planos de saúde para tratar endometriose