
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira, 14 de setembro de 2026, em Brasília, que a atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) atrapalha a atividade econômica e contribui para um ambiente de instabilidade no país. As declarações foram dadas em entrevista ao Neofeed e em evento promovido pela Esfera.
Durigan ressaltou que a independência do Judiciário é essencial, mas defendeu também que as cortes preservem harmonia com os outros poderes e trabalhem para recuperar e ampliar a credibilidade institucional. Segundo ele, isso passa por maior transparência nos processos e pela redução de práticas que geram vazamentos seletivos de informações.
Questionado sobre a percepção do mercado e de setores contrários ao PT, o ministro disse que o sentimento de desconfiança existe principalmente entre investidores e agentes financeiros. Ainda assim, afirmou não ter a intenção de conduzir a política econômica apenas para agradar o mercado, embora reconheça a necessidade de atender reivindicações legítimas desse segmento.
Durigan defendeu a manutenção do arcabouço fiscal em vigor, com aperfeiçoamentos pontuais, como forma de dar previsibilidade às regras econômicas. Ele destacou que o conjunto de normas vigente teve impacto fiscal neutro entre 2024 e 2026 e que o foco deve ser fortalecer a estrutura atual em vez de substituí-la a cada ciclo político.
Na visão do ministro, consolidar o arcabouço e avançar no ajuste das contas públicas são passos fundamentais para aliviar a pressão sobre a taxa de juros e melhorar o ambiente de investimentos. Para isso, apontou ser necessário combinar responsabilidade fiscal com um projeto de desenvolvimento que permita uma trajetória sustentável de equilíbrio das contas ao longo do tempo.
Entre as medidas prioritárias, Durigan citou a necessidade de revisão de gastos obrigatórios e ajustes em programas sociais, sem, entretanto, promover uma mudança abrupta na orientação da gestão pública — mantendo, segundo ele, os princípios do governo. Ele também lembrou que a equipe econômica conseguiu aprovar gatilhos para contenção de gastos obrigatórios que passam a valer a partir do próximo ano, um ganho que considerou modesto, mas relevante como sinalização de trajetória fiscal.
O ministro associou a queda dos juros a um tripé composto por estabilidade política, previsibilidade fiscal e revisão de despesas obrigatórias. “O País terá juros mais baixos quando houver estabilidade institucional, controle dos gastos obrigatórios e uma política fiscal previsível”, afirmou Durigan ao detalhar as condições para um ambiente macroeconômico mais favorável.
Sobre o calendário eleitoral, Durigan pediu serenidade e respeito ao resultado das urnas, ressaltando que eleições tranquilas são necessárias para reduzir ruídos e incertezas que elevam custos financeiros e afetam a confiança de investidores e empresas.
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