A corretora de criptomoedas Bitget afirmou na sexta-feira (25 de setembro de 2026) que cerca de US$ 350 milhões — o equivalente a aproximadamente R$ 1,86 bilhão — foram subtraídos da plataforma.
O episódio se soma a um movimento crescente de ataques a ativos digitais: pesquisadores da TRM Labs estimam que, no ano anterior, invasores roubaram cerca de US$ 2,9 bilhões em quase 150 incidentes relacionados a criptomoedas.
Autoridades de segurança alertaram em julho que organizações criminosas vêm usando moedas digitais para transferir recursos rapidamente entre países, evitando o sistema financeiro tradicional. Especialistas em segurança e operadores do mercado costumam apontar que, em casos de grandes invasões, é comum corretoras cooperarem com investigações e adotarem medidas como o bloqueio temporário de saques — embora a empresa envolvida não tenha detalhado providências específicas além de confirmar o furto.
Principais roubos de criptomoedas desde o surgimento do bitcoin (2008)
- Bybit — fevereiro de 2025: Um ataque resultou no roubo de US$ 1,5 bilhão em ethers (valor aproximado: R$ 7,95 bilhões à cotação da época), registrado por pesquisadores como o maior desfalque envolvendo moedas digitais até então. Autoridades, incluindo o FBI, atribuíram o ataque a grupos ligados à Coreia do Norte; o país negou envolvimento.
- Poly Network — agosto de 2021: Hackers retiraram cerca de US$ 610 milhões de uma plataforma que facilita transferências de tokens entre redes. Posteriormente, quase todo o montante foi devolvido aos usuários.
- Ronin Network — março de 2022: Criminosos atacaram um projeto de blockchain associado ao jogo Axie Infinity e levaram aproximadamente US$ 540 milhões (cerca de R$ 2,86 bilhões). A operação envolveu a apropriação de cerca de 173.600 ethers e 25,5 milhões de tokens USD Coin, segundo relatórios técnicos sobre o caso.
- Coincheck — janeiro de 2018: A corretora japonesa sofreu um ataque que resultou no roubo de cerca de US$ 530 milhões (valor da época). Os invasores exploraram uma das chamadas “hot wallets” — carteiras digitais conectadas à internet — para retirar os fundos.
- Mt. Gox — 2011 a 2014: Em um dos primeiros e mais célebres ataques ao mercado de criptomoedas, bitcoins avaliados em quase US$ 500 milhões foram perdidos da então maior corretora do mundo, sediada em Tóquio. A Mt. Gox chegou a responder por cerca de 80% das negociações globais de bitcoin e entrou com pedido de recuperação judicial no início de 2014; cerca de 24 mil clientes ficaram sem acesso aos seus ativos.
Os episódios destacados ilustram vulnerabilidades técnicas e operacionais que afetam tanto protocolos de blockchain quanto infraestruturas de corretoras — em particular, a segurança de carteiras online e controles de custódia. Desde os primeiros grandes casos, o mercado vem buscando aprimorar práticas de segurança, auditorias e mecanismos de rastreamento de fundos nas blockchains para tentar recuperar ativos e evitar novas perdas.
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