Descubra quais são as principais propostas dos candidatos à presidência para alterar, atualizar ou até substituir o modelo tradicional da carteira assinada no Brasil
O mercado de trabalho brasileiro enfrenta transformações profundas impulsionadas pelo avanço tecnológico e novas formas de ocupação.
Enquanto alguns candidatos defendem a preservação da Consolidação das Leis do Trabalho, outros propõem modelos alternativos de contratação.
Conforme informação divulgada pelo g1, essa discussão divide opiniões sobre o papel do Estado e a flexibilidade nas relações profissionais.
O cenário atual e o crescimento das novas formas de trabalho
A legislação trabalhista brasileira nasceu em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, estruturando direitos fundamentais para os trabalhadores.
Com o passar das décadas, a indústria perdeu espaço para o setor de serviços e novas tecnologias surgiram em todo o país.
A internet facilitou o surgimento de plataformas digitais, com cerca de 1,8 milhão de brasileiros atuando por meio desses aplicativos de serviços.
O percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ atingiu o maior nível da série histórica, passando de 15% em 2012 para 27,1% em 2025.
Os diferentes diagnósticos e a visão dos especialistas
Para alguns grupos, a expansão dessas modalidades mostra que as regras atuais são rígidas e precisam abrir espaço para negociações livres.
Por outro lado, defensores dos direitos tradicionais argumentam que trabalhadores e empresas não negociam em condições equivalentes de igualdade.
O sociólogo Ricardo Antunes destacou que a promessa de autonomia atrai muitas pessoas, mas existe uma diferença importante perante a realidade.
Segundo o especialista, a promessa de ser o próprio chefe exerce forte apelo no contexto atual marcado pelo avanço das tecnologias digitais.
A cientista política Mayra Goulart afirmou que muitos buscam liberdade de horário, mas nem sempre conseguem gerenciar o descanso ou a sobrevivência.
A pesquisadora alertou que a luta pela dignidade pode levar à autoexploração, onde trabalhar sem descanso passa a ser visto como virtude moral.
As propostas dos candidatos para o mercado de trabalho
Flávio Bolsonaro defende a liberdade para escolher cargas horárias e ampliar o acordo negociado sobre o legislado, conforme seu plano de governo.
O candidato afirma que quem quiser continuar no sistema atual continua, mas terá a possibilidade de trabalhar com a jornada que for possível.
Romeu Zema propõe a criação de um regime trabalhista alternativo à CLT, oferecendo uma segunda opção baseada em negociações diretas.
No novo regime sugerido, empregador e empregado poderiam combinar remuneração variável e divisão de férias, respeitando 44 horas semanais.
Renan Santos pretende substituir o modelo atual por um novo marco regulatório, priorizando a liberdade contratual e encerrando a Justiça do Trabalho.
Ronaldo Caiado foca em adaptar as leis para o trabalho remoto e criar reduções graduais em auxílios sociais para quem consegue emprego formal.
Augusto Cury aposta no estímulo ao empreendedorismo, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva defende a manutenção e o fortalecimento da CLT.
O impacto dos dados formais na discussão econômica
Apesar do crescimento de aplicativos e da pejotização, o emprego formal continua registrando alta expressiva no cenário nacional recente.
Dados do Ministério do Trabalho indicam a criação de milhares de vagas formais e a queda da taxa de desemprego para patamares históricos.
A carteira assinada segue sendo uma forma essencial de inserção, gerando debates intensos sobre quem deve assumir os riscos profissionais.
O grande desafio para o futuro envolve definir quais proteções sociais devem acompanhar os trabalhadores nas novas ocupações da economia.