Por Darlan Helder | Atualizado em 10/09/2026 02h00
Há duas décadas, pautas como Orkut, Twitter, a expansão da internet banda larga, o Walkman e os primeiros celulares com câmera digital dominavam o noticiário de tecnologia. Em 2006, esses temas retratavam um mundo em transição. Vinte anos depois, a combinação de inteligência artificial, streaming e algoritmos mudou profundamente a relação das pessoas com dispositivos e serviços — e novos avanços apontam para transformações ainda maiores até 2046.
Para mapear o que pode vir a se tornar rotina nas próximas duas décadas, conversamos com Ronaldo Lemos, fundador e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio) e especialista em tecnologia e inovação. Segundo Lemos, várias mudanças hoje vistas como experimentos têm potencial para se tornar massificadas e impactar a vida cotidiana.
Entre as tendências destacadas pelo especialista estão:
- Turismo lunar e voos privados rumo à Lua: iniciativas privadas e programas espaciais podem popularizar viagens além da órbita terrestre, abrindo caminho para opções de férias e missões comerciais à superfície lunar.
- Robôs como assistentes pessoais: máquinas autônomas devem se tornar mais comuns dentro e fora de casa, com aplicações em tarefas domésticas, apoio a idosos, serviços de saúde e logística.
- Dispositivos de IA que substituem funções do celular: interfaces baseadas em inteligência artificial — incorporadas a óculos, wearables ou sistemas ambientes — podem reduzir a dependência do smartphone como central de comunicação e informação.
- Expansão de IAs generativas e assistentes contextuais: modelos capazes de compreender contexto e agir de forma contínua podem transformar desde o trabalho até o entretenimento, alterando como consumimos conteúdo e interagimos com serviços digitais.
Ronaldo Lemos ressalta que muitos desses avanços dependem de fatores além da tecnologia, como regulação, custo de produção, infraestrutura e aceitação social. “Tendências que hoje parecem de nicho podem ganhar escala se houver políticas públicas, modelos de negócio viáveis e confiança do público”, afirma.
Imagens e testes recentes ilustram parte desse movimento: a nave Starship, da SpaceX, teve seu 12º voo — registro divulgado por agências internacionais — e simboliza o progresso em tecnologias espaciais que tornam plausíveis novas rotas comerciais e turísticas ao espaço.
No vídeo especial produzido para acompanhar este levantamento, são mostrados os principais temas que podem moldar a próxima fase da tecnologia e da inovação — da exploração espacial à robótica doméstica e às mudanças na forma como usamos dispositivos inteligentes.
Ao olhar para 2046, especialistas como Lemos preferem tratar as projeções como cenários possíveis, não certezas. A velocidade das mudanças dependerá da convergência entre avanços científicos, investimentos privados, regulamentação e escolhas coletivas sobre privacidade, segurança e equidade de acesso.
Em resumo: férias na Lua, robôs atuando como assistentes e IAs capazes de assumir muitas funções hoje desempenhadas por celulares não são apenas ficção científica — são possibilidades reais que, segundo especialistas, podem se consolidar nas próximas duas décadas, transformando rotinas pessoais e setores inteiros da economia.
Legenda da foto: Nave Starship, da SpaceX, durante seu 12º voo — Foto: Reuters/Steve Nesius
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