A intrigante pergunta sobre a esquizofrenia e a genética familiar que moveu cientista a investigar o transtorno por mais de duas décadas de sua vida
Quando a bioquímica e geneticista Consuelo Walss-Bass iniciou seus estudos de doutorado, ela carregava uma dúvida profunda e pessoal que mudaria os rumos de sua carreira profissional.
A principal questão que atormentava sua mente era saber o motivo exato pelo qual sua irmã Paty havia desenvolvido a condição mental, enquanto ela mesma permaneceu saudável apesar de compartilharem o mesmo DNA.
Essa dolorosa jornada familiar com a esquizofrenia foi relatada em detalhes pela profissional, conforme informação divulgada pela BBC News Brasil.
A tempestade perfeita entre genética e ambiente no desenvolvimento da esquizofrenia
A ciência atual compreende que o transtorno não surge devido a um único fator isolado, mas sim de uma complexa combinação entre a carga hereditária e os traumas sofridos ao longo da vida.
Segundo a pesquisadora, existem atualmente 287 genes conhecidos que contribuem para o problema, mas cada indivíduo possui uma combinação genética totalmente diferente e única.
Além disso, o momento em que ocorrem os traumas na infância e nas sinapses cerebrais desempenha um papel determinante para que a doença se manifeste de forma severa na adolescência.
Sinais precoces e a difícil missão de reconhecer o início dos sintomas na adolescência
Identificar os primeiros sinais da esquizofrenia na fase juvenil é uma tarefa extremamente árdua, pois a própria adolescência já é marcada por intensas mudanças biológicas e comportamentais.
A cientista destaca que paranoias leves, sentimentos de perseguição, raiva constante e o isolamento social progressivo devem servir como alertas importantes para as famílias.
Muitas vezes, esses comportamentos iniciais passam despercebidos pelos parentes, que acabam interpretando tudo apenas como fases normais do crescimento ou rebeldia típica da idade.
A importância vital de uma rede de apoio e os avanços nos tratamentos psiquiátricos
Atualmente, a irmã da pesquisadora vive sob uma rotina estruturada com a família, o que demonstra que a estabilidade é possível com o suporte médico adequado e acolhimento.
Embora os medicamentos utilizados ainda sejam antigos, a esperança da comunidade científica reside nas novas pesquisas genéticas para o desenvolvimento de terapias mais eficazes.
Compreender que o transtorno é uma condição biológica e involuntária ajuda a eliminar o forte preconceito social, trazendo mais empatia e compaixão para quem sofre.
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