Em 25 de setembro de 2026, uma equipe editorial reuniu uma lista de filmes e vídeos — entre documentários, ficções e curtas — pensada para orientar reflexões antes das eleições de 2026. Segundo o texto de apresentação, a mobilização nas urnas é vista como oportunidade para renovar o Congresso e, no Executivo nacional, frear forças que ameaçam a natureza e eleger Lula.
Abaixo, trechos das obras selecionadas e notas sobre onde encontrá-las, com ênfase em títulos que tratam de meio ambiente, desigualdade, representação indígena e o papel da mídia.
- Sukande Kasáká – Terra Doente (Brasil, documentário, 2025). Direção: Kamikia Kisedje e Fred Rahal. O filme acompanha moradores Kisêdjê na Terra Indígena Wawi diante do avanço do agronegócio, mostrando a contaminação por agrotóxicos e o dilema entre permanecer no território ou buscar segurança longe da terra ancestral. Onde assistir: plataforma AmazôniaFlix.
- A Voz de Hind Rajab (Tunísia, drama, 2025). Direção: Kaouther Ben Hania. Drama baseado em fatos que reconstrói o resgate de uma menina palestina durante bombardeios, incluindo gravações reais de chamadas de socorro; indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional. O filme é usado na seleção para discutir violação de direitos e a instrumentalização política de tragédias humanitárias. Onde assistir: Netflix.
- Gretchen — Filme Estrada (Brasil, documentário, 2010). Direção: Eliane Brum e Paschoal Samora. O documentário relata a transição da artista para a política local em sua candidatura à Prefeitura de Itamaracá em 2008, explorando a interseção entre cultura, celebridade e prática eleitoral. Onde assistir: YouTube.
- Vitória Régia – A Resposta Somos Nós (Brasil, curta-metragem, 2026). Direção: Denis Kamioka. Produzido no Parque Indígena do Xingu, o curta ressalta a importância da representação indígena nos espaços de decisão como forma de proteger territórios e modos de vida. Onde assistir: YouTube.
- Parasita (Coreia do Sul, suspense/comedía, 2019). Direção: Bong Joon Ho. O longa, vencedor do Oscar, é lembrado aqui por sua crítica à desigualdade social e pelo modo como crises (incluindo ambientais) atingem de forma desigual diferentes parcelas da população; a peça serve como metáfora para as tensões de classe no Brasil. Onde assistir: Netflix, Prime Video, Telecine.
- A Montanha dos Sete Abutres (Estados Unidos, drama, 1951). Direção: Billy Wilder. Um filme clássico sobre jornalismo sensacionalista: acompanha um repórter que manipula uma cobertura para manter audiência enquanto um trabalhador segue preso. A obra é citada para provocar reflexão sobre o papel da imprensa em tempos eleitorais. Onde assistir: Vimeo (gratuito) ou Belas Artes à La Carte.
- Que Horas Ela Volta? (Brasil, drama, 2015). Direção: Anna Muylaert. A narrativa sobre direitos trabalhistas, desigualdade e acesso à educação acompanha a empregada doméstica Val e a chegada de sua filha à cidade, levantando questões sobre privilégios e rupturas sociais. Onde assistir: Netflix, Globoplay, Telecine (via Prime Video).
- Princesa Mononoke (Japão, animação/fantasia, 1997). Direção: Hayao Miyazaki. Embora seja uma fábula, o filme é destacado pela complexidade de seus conflitos entre exploração e proteção ambiental, mostrando que as soluções raramente são maniqueístas. Onde assistir: Netflix.
- Entre balas e tratores: como crédito rural se tornou uma máquina milionária de destruição dos Kanela (Brasil, videorreportagem, 2025). Reportagem em vídeo que demonstra como políticas de crédito e a ausência de demarcação territorial expõem povos indígenas — como os Kanela, no Maranhão — ao avanço de grileiros e ao desmatamento; a peça dialoga diretamente com propostas legislativas em debate, como a tese do marco temporal. Onde assistir: canal de vídeos da equipe que produziu a seleção.
A curadoria reúne títulos internacionais e nacionais — comerciais e independentes — com objetivo de estimular cidadania informada, pensamento crítico sobre políticas públicas e proteção ambiental, e atenção às pautas dos povos originários. A seleção inclui produções recentes (2025–2026) e clássicos que ajudam a contextualizar debates sobre mídia, poder e desigualdade.
Para eleitores interessados em se preparar para as urnas, a lista propõe ver obras que questionam estruturas de poder, mostram impactos de decisões políticas sobre territórios e vidas, e lembram a importância da representação nas instâncias decisórias.
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