Tribunal dos EUA mantém Anthropic na lista de risco à segurança nacional e a impede de fechar contratos militares
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Tribunal dos EUA mantém Anthropic na lista de risco à segurança nacional e a impede de fechar contratos militares

Decisão de 25 de setembro de 2026 confirma ordem do Departamento de Defesa que restringe uso dos modelos avançados da empresa, que afirma ter sofrido perdas bilionárias e avalia recursos judiciais.

Redação Portal Web Dicas • • 3 min de leitura • Economia

Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta‑feira (25 de setembro de 2026), que a Anthropic continuará impedida de firmar contratos com órgãos do setor de Defesa americano e que a empresa permanece classificada pelo Departamento de Defesa como um risco à segurança nacional.

A decisão encerra, ao menos por ora, uma disputa judicial que vinha se estendendo há meses: a Anthropic havia acionado a Justiça para tentar derrubar a designação do Pentágono e bloquear as restrições impostas ao uso de seus modelos de inteligência artificial por agências governamentais.

Na prática, a manutenção da medida dificulta ou impede que departamentos e entidades ligadas à Defesa contratrem a companhia ou utilizem seus serviços para finalidades militares ou de segurança sensível.

A própria Anthropic afirma que a classificação do governo americano já lhe causou prejuízos significativos: segundo a empresa, negócios no valor de bilhões de dólares teriam sido perdidos e sua reputação foi afetada. Em comunicado, a companhia disse que “discorda respeitosamente da decisão”, manteve confiança em sua posição e avaliava recorrer, inclusive buscando nova revisão judicial.

Contexto e principais acontecimentos relacionados ao caso:

  • Junho de 2026: o governo dos EUA ordenou que a Anthropic bloqueasse o acesso a seus modelos mais avançados, Mythos 5 e Fable 5, citando motivos de segurança nacional.
  • Julho de 2026: parte das restrições ao Mythos 5 foi suspensa, com uso autorizado para alguns defensores cibernéticos e operadores de infraestruturas críticas dentro dos EUA; parceiros estrangeiros, especialmente agências estatais de cibersegurança na Europa e na Ásia, continuaram sem acesso.
  • Agosto de 2026: um juiz federal em San Francisco anulou uma designação semelhante com base em outra legislação, em decisão que não chegou a reverter a ação atual do Pentágono.
  • 23 de setembro de 2026: representantes de empresas de IA, entre eles o CEO da Anthropic, Dario Amodei, participaram de reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para debater riscos do avanço da tecnologia.
  • 24 de setembro de 2026: Dario Amodei não esteve presente no jantar na Casa Branca oferecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao líder chinês Xi Jinping; na mesma mesa estavam executivos como Jensen Huang (Nvidia) e sua esposa Lori Huang, Lisa Su (AMD) e o marido Daniel Lin, Elon Musk e Tim Cook (que deixou o cargo de CEO em agosto de 2026).

Fundada em 2021 por Dario Amodei e outros ex‑executivos da OpenAI, a Anthropic passou a ganhar destaque na corrida por modelos de linguagem mais avançados. Seu chatbot Claude foi lançado ao público em março de 2023 e contribuiu para o crescimento da empresa, que adota publicamente uma postura mais cautelosa no desenvolvimento da tecnologia.

Analistas e fontes do mercado destacam que a classificação como risco à segurança nacional pode ter impacto direto no calendário e na avaliação de uma eventual oferta pública inicial (IPO) da Anthropic, além de limitar parcerias com governos e contratantes internacionais. Para o setor de Defesa, a medida reflete a crescente atenção das autoridades americanas ao potencial de uso indevido de modelos de IA e aos riscos que eles podem representar para operações sensíveis.

A disputa jurídica e política em torno da Anthropic insere‑se num debate mais amplo sobre governança da inteligência artificial, segurança nacional e a necessidade de equilibrar inovação, competitividade comercial e controles que evitem riscos para infraestruturas e cidadãos.

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