Por Isabela Bolzani — São Paulo
O IPCA-15, indicador que funciona como prévia da inflação oficial, avançou 0,70% em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). O resultado ficou acima da projeção média do mercado, de 0,53%, segundo levantamento da Reuters, e reverteu a queda de 0,40% registrada em agosto.
Com esse movimento, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses. Em setembro todos os nove grupos de despesa pesquisados pelo IBGE registraram variação positiva.
Variação por grupos em setembro
- Alimentação e bebidas: +0,40%
- Habitação: +2,07% (maior alta)
- Artigos de residência: +0,55%
- Vestuário: +0,41%
- Transportes: +0,60%
- Saúde e cuidados pessoais: +0,13%
- Despesas pessoais: +0,96%
- Educação: +0,03%
- Comunicação: +0,54%
Energia elétrica e o fim do Bônus de Itaipu
O grupo Habitação foi o principal motor da alta do mês, em grande parte devido ao reajuste da energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro — depois de cair 6,25% em agosto. A elevação reflete, entre outros fatores, o fim da incorporação do Bônus de Itaipu às faturas, benefício que devolve aos consumidores valores excedentes relacionados à usina e que havia reduzido temporariamente os valores cobrados.
Além disso, a bandeira tarifária amarela esteve em vigor em setembro, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. O IBGE também registrou redução de 6,65% nas tarifas em Fortaleza a partir de 26 de agosto, resultado de recursos provenientes de renegociação vinculada a concessões hidrelétricas — medida que beneficiou consumidores locais.
Outros itens de Habitação também contribuíram: o gás encanado subiu 0,92% (com reajustes em Curitiba de 10,21% e no Rio de Janeiro de 1,80%, válidos a partir de 1º de agosto) e a taxa de água e esgoto variou 0,03%, influenciada pelo aumento de 3,55% em Salvador a partir de 20 de julho.
Transportes, combustíveis e passagens aéreas
O grupo Transportes registrou alta de 0,60% em setembro, pressionado sobretudo pelas passagens aéreas, que ficaram 9,82% mais caras no mês. Entre os combustíveis, houve aumento geral de 0,22%: o gás veicular subiu 1,56% e a gasolina avançou 0,30%, enquanto o óleo diesel recuou 0,78% e o etanol teve queda de 0,22%.
Alimentos: alta moderada
O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,40% em setembro. A alta ocorreu tanto nos alimentos consumidos em casa (0,38%) quanto na alimentação fora do domicílio (0,44%). Entre os alimentos que mais subiram no mês destacam-se o tomate (+20,76%), o arroz (+2,39%) e as carnes (+1,30%).
Na alimentação fora do domicílio, o preço das refeições acelerou, passando de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro; já o item “lanche” desacelerou de 0,75% para 0,44% no mesmo intervalo.
Despesas pessoais e outros destaques
Despesas pessoais cresceram 0,96% no mês, influenciadas, entre outros fatores, pelo reajuste de 14% no preço do cigarro, aplicado a partir de 1º de agosto. Saúde, educação, vestuário e comunicação também registraram altas, ainda que mais moderadas.
Resumo e implicações
O avanço de 0,70% do IPCA-15 em setembro sinaliza uma aceleração pontual da inflação medida pela prévia do IBGE, com impacto importante das tarifas de energia e dos serviços de transporte aéreo. O indicador serve como referência para a evolução dos preços antes da divulgação do IPCA cheio, que consolida a inflação do mês.
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