O Papa Leão XIV celebrou seu 71º aniversário nesta segunda‑feira, 14 de setembro de 2026, inaugurando na Biblioteca Apostólica do Vaticano a mostra intitulada “AQVA”, parte do tema maior “Catástrofe e Maravilha”. A exposição ficará aberta ao público até 14 de maio de 2027 e propõe uma reflexão sobre a água tanto como recurso quanto como ameaça.
Foi a primeira visita do pontífice à Biblioteca desde sua eleição, em 2025. Ao discursar na abertura, Leão comparou a Biblioteca Apostólica a um coração: “Como devemos descrever a biblioteca do papa? Usarei uma metáfora: a Biblioteca Apostólica é um coração. Um coração pulsante é um símbolo de vida, e resulta de dois movimentos opostos, sístole e diástole: uma contração e um relaxamento, um movimento em direção ao centro e outro em direção à periferia.”
O arcebispo Giovanni Cesare Pagazzi, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, destacou que a mostra exemplifica o diálogo entre gerações ao aproximar um acervo centenário de artistas contemporâneos: “As gerações estão entrelaçadas. Não vamos fingir que somos homens e mulheres sozinhos, porque já estamos na companhia de todas as gerações, e a elas somos devedores”, afirmou Pagazzi durante a inauguração.
A programação reúne trabalhos diversos, entre eles:
- uma grande instalação inspirada na gravura em madeira de 1866 de Gustave Doré sobre o Grande Dilúvio;
- peças marinhas do tipógrafo americano Bill Moran;
- uma série de pequenas histórias culinárias do chef italiano Fulvio Pierangelini;
- documentos das coleções permanentes da Biblioteca, incluindo livros de receitas históricos centrados em frutos do mar.
O artista francês JR, autor de uma instalação externa que reproduz uma onda do oceano junto à Biblioteca, disse que seu papel como criador é construir pontes e que se sentiu no lugar certo, embora tenha reconhecido a intimidação de trabalhar em um espaço como o Vaticano. O papa, por sua vez, incentivou os presentes — em especial os funcionários da Biblioteca — a “continuar encontrando novos caminhos em direção à reconciliação.”
No mesmo dia da inauguração, Leão XIV assinou um decreto determinando a construção de um novo edifício dentro do território da Cidade do Vaticano para abrigar o crescente acervo de manuscritos da Biblioteca Apostólica. O pontífice afirmou que o armazenamento atual é insuficiente e citou a transferência, feita em 2024 pelo Papa Francisco, de partes da coleção para o edifício do Seminário Maior Pontifício Romano, nas proximidades da Basílica de São João de Latrão.
Sobre a nova estrutura, Leão escreveu: “Surgiram oportunidades sem precedentes para criar novas instalações dentro do território do Estado da Cidade do Vaticano, que são, sem dúvida, preferíveis, por várias razões, à solução que havia sido previamente identificada.” O projeto será edificado em uma área hoje destinada ao estacionamento de veículos de serviço.
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