Saúde

Pacientes em tratamento de esclerose múltipla pelo SUS aumentam 26% entre 2019 e 2023

Estudo que acompanhou cerca de 27 mil pessoas e mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos aponta ampliação do acesso a terapias de maior eficácia, com variação regional e desafios na detecção precoce

Redação Portal Web Dicas 2 min de leitura Saúde

O número de pessoas em tratamento para esclerose múltipla pelo Sistema Único de Saúde (SUS) subiu cerca de 25,9% entre 2019 e 2023, resultado de uma análise que acompanhou mais de 1,7 milhão de registros de entrega de medicamentos e uma coorte de aproximadamente 27 mil pacientes.

O levantamento, conduzido por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com o Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), também mostra que a prescrição de medicamentos classificados como de alta eficácia cresceu em todas as regiões do país, mas de forma desigual. Entre 2019 e 2023, a distribuição de natalizumabe — indicado para formas mais agressivas da doença — aumentou 44,5% no Brasil.

Pesquisadores atribuem parte da expansão ao redesenho das diretrizes clínicas nacionais (PCDT), que incorporaram evidências recentes e ampliaram as indicações terapêuticas, permitindo acesso mais precoce a drogas potentes para determinados perfis de pacientes. O PCDT atualizado também descreve as opções de medicamentos modificadores do curso da doença disponíveis no SUS.

A análise identificou heterogeneidade regional no ritmo de ampliação do tratamento, o que aponta para barreiras locais de acesso a diagnóstico e cuidado especializado. Especialistas ouvidos no conjunto de reportagens ressaltam a importância do fortalecimento da atenção primária e da capacitação de médicos para reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e a confirmação diagnóstica.

Dados complementares sobre jornada do paciente reforçam esse ponto: levantamentos mostram que cerca de 26,6% das pessoas demoram mais de cinco anos para receber diagnóstico definitivo de esclerose múltipla, e 14,1% aguardam uma década ou mais desde os primeiros sintomas até a confirmação, o que pode agravar a progressão da doença e limitar o benefício das terapias.

O SUS oferece exames de diagnóstico, acompanhamento multidisciplinar e um conjunto de medicamentos modificadores do curso da doença; a ampliação do tratamento observada entre 2019 e 2023 indica maior cobertura, mas especialistas alertam que ainda há lacunas na equidade do acesso e na detecção precoce.

  • Período analisado: 2019–2023; aumento aproximado: 25,9% (reportado como 26%).

  • Amostra e bases: mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos; ~27 mil pessoas acompanhadas.

  • Crescimento na distribuição de natalizumabe: +44,5% no período 2019–2023.

  • Desafio persistente: demora no diagnóstico em parcela relevante dos pacientes.

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