O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (25/09/2026) que Teerã enviou aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, caso sejam atendidas determinadas condições.
Segundo Araghchi, que viajou a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, a proposta foi entregue ao enviado americano Steve Witkoff na terça-feira (23). Ele disse que, se as exigências iranianas forem cumpridas, o tráfego marítimo habitual poderá ser restabelecido no prazo de uma semana — mas ressaltou que a decisão final depende de Washington.
O governo iraniano listou publicamente parte das condições exigidas para suspender as hostilidades e permitir a reabertura do estreito, ponto estratégico por onde passa grande parte do comércio marítimo de petróleo do Golfo:
- cessação de sete dias de todas as operações militares na região do Oriente Médio, inclusive no Líbano;
- desbloqueio de ativos iranianos congelados, avaliados em ao menos US$ 12 bilhões;
- levantamento das sanções que atingem o setor petrolífero iraniano;
- fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã.
Outros pontos mencionados por representantes iranianos incluem a exigência de garantias para o trânsito marítimo e o fim das hostilidades no Iêmen, condição citada também pelo porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi. Araghchi disse esperar uma resposta de Washington e afirmou que a China apoia a proposta.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou em entrevista à emissora americana Fox News que o Irã não deseja a continuidade da guerra e que cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrá-la. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (24), Pezeshkian adotou tom firme ao afirmar que seu país não se submeterá a coerção e que está disposto a negociar para pôr fim ao conflito.
Pezeshkian também negou que o grupo houthi, que atua no Iêmen e é apoiado por Teerã segundo muitos governos, receba ordens diretas do Irã, dizendo que os rebeldes são responsáveis por suas próprias ações. O presidente lembrou que o movimento assumiu recentemente o controle do Estreito de Bab el-Mandeb em confrontos que causaram centenas de mortos e que, neste mês, os houthis atacaram alvos na Arábia Saudita, incluindo Riad.
Em junho, os presidentes dos Estados Unidos e do Irã haviam assinado um acordo com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Autoridades dos dois lados afirmam, porém, que a interpretação do acordo divergiu, fato que foi seguido pela retomada das hostilidades na região.
Desde o começo do conflito, o tráfego no Estreito de Ormuz tem enfrentado restrições: o Irã exige que embarcações obtenham autorização prévia para a travessia, medida que tem levado a confrontos com navios que não cumprem a exigência; por sua vez, os Estados Unidos têm realizado ataques contra alvos costeiros iranianos.
Agências e jornais estrangeiros haviam divulgado inicialmente a proposta iraniana; a imprensa estatal do país chegou a negar versões preliminares, e até o momento não houve uma declaração única e formal que reúna todas as posições do governo sobre cada ponto da oferta.
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