Como o Ibovespa disparou para patamares recordes e o dólar despencou refletindo o cenário político e econômico entre os dois turnos eleitorais
O mercado financeiro brasileiro viveu semanas de intensa movimentação política e econômica durante o período decisivo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Investidores acompanharam de perto cada variação nos gráficos enquanto os principais ativos respondiam diretamente às pesquisas de intenção de voto e ao comportamento do capital internacional na bolsa de valores.
A euforia inicial tomou conta dos negócios logo após a definição dos candidatos que disputariam a presidência, gerando recordes históricos de pontuação no principal índice acionário do país. O cenário foi marcado por apostas em ajustes fiscais futuros, queda nas taxas de juros de longo prazo e uma forte atração de recursos externos para a economia nacional.
Conforme informação divulgada pela Consultoria Elos Ayta, a trajetória ascendente observada nos pregões refletiu um otimismo raramente visto em disputas presidenciais anteriores. A seguir, veja os detalhes sobre o comportamento do Ibovespa, a queda acentuada da moeda americana e as projeções traçadas pelos principais analistas econômicos para o futuro.
O recorde histórico do Ibovespa e o impacto dos juros
A bolsa brasileira viveu seu dia de maior alta em 6 anos após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e alcançou os 206.911,89 pontos, com alta de 7,70% no pregão.
Durante o dia, o principal índice brasileiro bateu os 209 mil pontos, seu maior patamar da história, surpreendendo investidores locais e estrangeiros com um volume expressivo de negociações.
No último pregão antes do primeiro turno das eleições, o Ibovespa subiu 2,63%, aos 192.144,55 pontos, na sexta-feira. A última sessão antes do segundo turno das eleições foi marcada por alta de 0,47%, com o índice de referência do mercado acionário brasileiro chegando aos 205.082,56 pontos.
A variação mostra que a alta foi de 6,9% entre os dois períodos, sendo que o histórico do índice mostra que a variação só foi maior nas eleições de 2002, quando o Ibovespa subiu 8,15% entre os períodos, e 2006, quando a alta foi de 7,90%.
Como mostram as ações que mais subiram no período, o grande combustível da alta foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo, impulsionando papéis de setores como construção, varejo e educação.
O fluxo estrangeiro recorde e a forte queda do dólar
Na esteira da valorização dos ativos, o capital estrangeiro ficou positivo em R$ 20,15 bilhões no mês de outubro, registrando uma entrada histórica que fortaleceu expressivamente a moeda brasileira.
Só no dia 5 de outubro, a entrada foi recorde, em R$ 10 bilhões, e o movimento se manteve ao longo do mês, consolidando o período como o segundo de maior entrada de capital externo na B3.
Com o fluxo estrangeiro positivo, o movimento cambial foi favorável para a moeda brasileira e o dólar, em relação ao real, caiu 4,4%, saindo de R$ 5,21 para R$ 4,98 no final de outubro.
Durante o mês, as pesquisas eleitorais deram o tom para o câmbio, com maior valorização do real, refletindo a cautela dos agentes financeiros diante de uma disputa presidencial considerada bastante apertada.
Conforme explicou o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o comportamento da moeda refletiu ajustes pontuais e fluxo externo, destacando que o ambiente continuou cauteloso com pesquisas indicando disputa acirrada.
As expectativas do mercado para o câmbio e para a bolsa
No caso do dólar, a projeção de analistas do Goldman Sachs é que a moeda possa chegar a R$ 4,70 em três meses, apostando na combinação de ajuste fiscal e governabilidade mais favorável.
A expectativa se pauta na eleição do candidato de direita, visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, enquanto concorrentes enfrentam desconfiança de parte do mercado.
Para a Bolsa, segundo levantamento do Citi, 49,3% dos participantes esperam que o Ibovespa suba mais de 5% no pregão de segunda-feira em caso de vitória de Flávio, demonstrando forte otimismo.
Além disso, cerca de 88% projetam valorização de pelo menos 2% do real frente ao dólar, evidenciando que o clima de negócios permanece altamente sensível aos rumos políticos e econômicos do país.
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