A coordenação da candidatura de Flávio Bolsonaro trabalha com a hipótese de que assumir a liderança já no primeiro turno será uma carta decisiva para atrair o apoio do chamado centrão. Segundo a campanha, a perspectiva de vantagem eleitoral fortaleceria negociações com legendas e líderes regionais interessados em compor uma maioria parlamentar.
A 11 dias do primeiro turno, a campanha intensificou ações voltadas ao chamado voto útil, buscando consolidar eleitores de candidatos com menor chance de avançar para a etapa seguinte. A estratégia tem sido descrita pela equipe como essencial para transferir intenção de voto e ampliar a base eleitoral em setores-chave do país.
Integrantes da coordenação afirmam observar um movimento que consideram similar ao registrado em 2018, quando o pai do candidato foi eleito, e veem nisso um indicativo de possibilidade de crescimento nas pesquisas e nas urnas. A campanha também aposta em surpresas eleitorais em regiões como o Nordeste, onde espera recuperar ou ampliar apoio.
Na visão do entorno do candidato, a combinação entre um bom desempenho no primeiro turno e a mobilização por voto útil pode tornar a candidatura mais atrativa para bancadas do Congresso que priorizam alinhamentos pragmáticos, como os do centrão. Essas negociações são entendidas como determinantes para viabilizar governabilidade em caso de vitória.
Do outro lado do espectro, avaliações divulgadas pelo campo adversário apontam foco em propostas de reforma tributária como arma para consolidar apoio em determinados segmentos do eleitorado. A disputa, portanto, se mantém em duas frentes: a construção de uma frente parlamentar e a corrida para consolidar votos no curto prazo.
Com a proximidade do pleito, a campanha de Flávio Bolsonaro vem adotando uma ofensiva pública e privada para converter apoios, privilegiando contatos com caciques regionais, articulação com partidos médios e apelos diretos ao eleitorado com potencial de voto útil, na tentativa de garantir influência política após as eleições.
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