Ao assumir a coordenação de reestruturações e negociações financeiras de grandes grupos, o advogado Eduardo Munhoz se tornou figura central na cena de distressed do Brasil em 2026, acumulando uma carteira de casos que inclui Raízen, Braskem e o Grupo Pão de Açúcar.
Em nota sobre os processos em curso, fontes ligadas às negociações descrevem o escritório de Munhoz como um time enxuto, de cerca de 25 advogados, dedicado a operações de alto grau de complexidade — um perfil que explica a intensa demanda por seus serviços nos últimos meses.
Um dos resultados mais expressivos sob sua coordenação foi a reorganização extrajudicial da Raízen, que permitiu a conversão ou rearranjo de aproximadamente R$ 66 bilhões em dívidas financeiras, em uma operação desenhada para preservar a continuidade das atividades do grupo.
Munhoz atua com frequência em situações em que a operação permanece rentável, mas a estrutura de capital se tornou insustentável — casos em que a negociação com credores pode viabilizar a empresa sem interromper a produção ou os serviços. Esse enfoque tem guiado tanto recuperações extrajudiciais quanto procedimentos judiciais de reorganização.
Antes de se tornar um dos principais especialistas em recuperação de empresas, Munhoz participou da comissão que modernizou a legislação falimentar brasileira durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contribuindo para a redação da lei de 2005 que introduziu os atuais instrumentos de reorganização societária. Hoje ele também é docente da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde mantém atuação acadêmica paralela à prática profissional.
Um exemplo recente de solução negociada citada por especialistas do setor foi a recuperação da InterCement, iniciada no fim de 2024, que envolveu conversões relevantes de passivo em capital e alterações na participação acionária dos controladores, resultado de acordos com credores internacionais. Operações desse tipo ilustram a tendência de credores — inclusive bancos e fundos — aceitarem trocas de dívida por participação acionária quando isso aumenta a chance de recuperação do valor.
Além de sua rotina de negociações, Munhoz é reconhecido no mercado por sua experiência em litígios empresariais e por atuar em reestruturações complexas que já envolveram grupos como os que controlavam os ativos de Eike Batista, assim como processos relacionados a grandes construtoras. Avaliações de mercado e rankings jurídicos destacam sua presença recorrente nos tribunais de negócios de São Paulo.
Entre os desafios que ele e colegas apontam para o ambiente de recuperações está a demora do Judiciário em decisões que afetam fluxos de financiamento — uma das razões citadas para que algumas reestruturações de companhias aéreas brasileiras tenham sido feitas nos Estados Unidos, onde existe maior especialização processual para esses casos. A percepção é a de que, embora a capacitação no tema tenha avançado, a velocidade das decisões ainda limita algumas soluções locais.
Fora dos autos, fontes próximas descrevem Munhoz como um profissional que divide o tempo entre a advocacia, o magistério e interesses pessoais — como música e vinhos — e que, apesar do ritmo intenso, mantém preferência por atuar em casos de maior complexidade e impacto econômico.
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