São Paulo, 14/09/2026 — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira que a queda das taxas de juros a patamares “civilizados” depende de um compromisso fiscal permanente, que inclua revisão de benefícios tributários ineficientes e combate a privilégios no setor público e entre empresas.
Em participação remota no Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, Durigan destacou que o Orçamento de 2027 está projetado para registrar o primeiro superávit primário de uma série que deverá se repetir nos anos seguintes. Para o ministro, essa trajetória fiscal mais ordenada é condição para reduzir o risco-país e permitir políticas monetárias menos restritivas ao longo do tempo.
Segundo Durigan, quando o mercado não demonstra apetite por determinados projetos, o Estado deve assumir o papel de investidor em setores estratégicos. Ele afirmou que aportes públicos direcionados, em coordenação com o setor privado, podem contribuir para a queda das taxas de juros ao estimular crescimento e melhorar expectativas.
O ministro também chamou atenção para fatores externos que aumentam o custo de financiamento das dívidas soberanas e pressionam a política monetária global. Citou que Estados Unidos, Reino Unido e Japão vêm enfrentando níveis de juros para rolar seus passivos não observados há muitos anos, em meio a incertezas e pressões inflacionárias.
Embora reconheça que choques internacionais — como disputas comerciais e decisões de bancos centrais estrangeiros — fogem ao controle do governo brasileiro, Durigan afirmou que o país pode reforçar sua credibilidade fiscal por meio de um ajuste contínuo e transparente das contas públicas.
Em sua intervenção, o ministro resumiu a agenda que, na visão dele, deve ser adotada: aprimorar as contas públicas, fortalecer a economia, racionalizar o Estado e enfrentar privilégios tanto no serviço público quanto no setor empresarial. Durigan ressaltou que essa postura precisa ser assumida pelo governo e pela equipe econômica para viabilizar taxas de juros mais baixas e um projeto de desenvolvimento sustentado.
Especialistas costumam apontar que superávits primários e políticas fiscais previsíveis reduzem o prêmio de risco cobrado do país, criando condições para a queda dos custos de empréstimos e maiores margens para estímulos ao crescimento. Durigan colocou esse raciocínio como base para a estratégia econômica anunciada nesta segunda-feira.
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