Por Gazeta do Povo Lab e Morgana Bressiani — 14/09/2026 às 12:50
O Brasil tem ganhado protagonismo nas trocas comerciais globais aproveitando a tensão entre Estados Unidos e China. Em palestra no Money Week 2026, em Balneário Camboriú, o economista Marcos Troyjo afirmou que o país se firmou como o principal fornecedor de alimentos para a China, aproximando-se do volume liderado historicamente pelos Estados Unidos.
Como a rivalidade entre EUA e China favoreceu o agronegócio brasileiro?
Segundo Troyjo, a necessidade chinesa de garantir abastecimento alimentar — em um país cuja população foi estimada em 1,5 bilhão no texto — e o recrudescimento das barreiras comerciais norte-americanas abriram espaço para o Brasil. No último ano, as exportações agrícolas brasileiras totalizaram US$ 169,2 bilhões, apenas US$ 2 bilhões abaixo do montante dos Estados Unidos, que ainda ocupam a primeira posição no ranking mundial.
Qual o efeito do acordo Mercosul-União Europeia nas vendas ao bloco?
O acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio deste ano, reduziu ou eliminou tarifas para cerca de 5 mil produtos do país. Nos dois primeiros meses após a entrada em vigor, as exportações brasileiras para o bloco aumentaram 26% em relação ao mesmo período de 2025. Troyjo observou que a postura protecionista dos Estados Unidos tem levado países europeus a diversificar fornecedores, valorizando mercados com maior poder de compra mesmo que a população seja menor que a chinesa.
Gargalos logísticos podem atrair capital estrangeiro
Problemas históricos de infraestrutura — estradas, ferrovias, armazéns e portos insuficientes — continuam a limitar a eficiência da cadeia de exportação brasileira. No entanto, conforme explicou o economista, essa deficiência também cria oportunidade: investidores internacionais estariam dispostos a aportar recursos para reduzir entraves e acelerar a entrega da produção ao mercado externo. Estima-se que o setor de logística receba cerca de R$ 300 bilhões em investimentos privados por meio de concessões de rodovias e ferrovias.
Minerais críticos: potencial geológico vs. desafio tributário
O Brasil possui reservas significativas de minerais críticos — matérias-primas fundamentais para eletrônicos, defesa e automação. Ainda assim, a transformação desses minérios em produtos de maior valor agregado esbarra na tributação. Enquanto outros países cobram em torno de 18% sobre atividades de processamento, a alíquota brasileira pode alcançar 33%. Sem mudanças na estrutura fiscal, alertou Troyjo, há o risco de o país exportar apenas a matéria-prima bruta e importar os bens manufaturados por preços bem mais altos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres.
Foto: Morgana Bressiani — Troyjo defende que o Brasil tem margem para crescer nas exportações agrícolas e diversificar destinos além da Ásia.
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