Criminoso diz usar conta de terceiros para receber por venda de material de abuso sexual infantil; PF alerta que PIX deixa rastros
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Criminoso diz usar conta de terceiros para receber por venda de material de abuso sexual infantil; PF alerta que PIX deixa rastros

Investigação registra oferta de pacotes por Telegram com pagamento por PIX ou criptomoedas; plataformas afirmam remover conteúdo, e Polícia Federal explica técnicas usadas por redes criminosas

Redação Portal Web Dicas • • 4 min de leitura • Economia

⚠️ Aviso: esta reportagem aborda conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final, há orientações para denúncia.

Uma investigação divulgada em 27/09/2026 identificou traficantes de material de abuso sexual infantil que anunciam em redes como o TikTok e fecham vendas em grupos e canais privados do Telegram. Em conversas monitoradas, um dos envolvidos reconheceu usar a conta bancária de outra pessoa — a quem se referiu como “menina” — para receber pagamentos, alegando que dessa forma o PIX não poderia ser rastreado. A Polícia Federal, porém, afirma que essa afirmação é falsa: transferências via PIX deixam registros que podem ajudar nas apurações.

Fontes que acompanharam a apuração relatam que os criminosos utilizam estratégias variadas para dissociar seu nome das movimentações financeiras. Entre os métodos estão o uso de contas de ex-namoradas, da própria vítima, de contas em fintechs com controles menos rígidos e até a criação de empresas no setor financeiro para movimentar recursos sem fornecer informações a órgãos de controle.

Em um dos casos registrados, o vendedor disponibilizou como chave PIX um endereço de e-mail com o domínio “@estudante.rs.gov.br”. As apurações não localizaram a pessoa vinculada ao endereço. A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que está em contato com as autoridades policiais para auxiliar nas investigações.

Como são vendidos os pacotes

Os anúncios observados descrevem pacotes com diferentes volumes e preços. Em canais monitorados, havia ofertas por valores em dólar e reais:

  • Pacotes em dólar: US$ 25 (aprox. R$ 130) para acesso a um grupo privado do Telegram com milhares de vídeos; outros pacotes por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90).
  • Pacotes em reais: em um endereço que aceita PIX, 3 GB de vídeos e fotos por R$ 10 e 15 GB por R$ 35. Outro grupo oferecia acesso “vitalício” por R$ 20.

Antes da compra, compradores recebiam uma prévia via vídeo que se autodestruía após a primeira visualização; após o pagamento, os arquivos eram enviados na conversa do Telegram.

Formas de pagamento e risco de rastreamento

Os criminosos indicam pagamentos por PIX ou criptomoedas. A Polícia Federal ressalta que, embora os infratores considerem o PIX uma via segura para ocultar transações, as operações eletrônicas geram registros: dados da conta de origem e do receptor ficam disponíveis e podem ser cruzados pela polícia. Além disso, bancos tradicionais costumam sinalizar e bloquear transferências atípicas ou de origens geográficas diversas.

A investigação também aponta migração do grupo criminoso para instituições digitais com estruturas de compliance mais frágeis, visando reduzir a detecção por órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central.

Atuação nas plataformas

O Telegram informou que a distribuição de material de abuso sexual infantil é proibida em seus termos de serviço e que aplicou ações de remoção em larga escala; segundo a empresa, mais de 339.760 grupos e canais relacionados a esse tipo de conteúdo foram excluídos em 2026. A plataforma afirma usar moderação humana e verificação automática com bancos de dados de hashes para impedir a redivulgação das mídias.

O TikTok também declarou que remove rapidamente postagens que envolvem exploração infantil, bane permanentemente contas envolvidas e reporta casos ao NCMEC (Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas). Dados divulgados pela empresa indicam que, no primeiro trimestre de 2026, 99,8% dos conteúdos que violavam suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente.

O que diz a Polícia Federal

Investigadores ouvidos pela apuração afirmam que agressores frequentemente recorrem a contas bancárias de vítimas ou de conhecidas íntimas, para criar um distanciamento entre o autor material do crime e as transações financeiras. A PF explica que essas pistas financeiras, somadas a outros elementos digitais, são valiosas em investigações e podem levar à identificação de redes criminosas.

Como denunciar

Se houver suspeita de violência contra criança ou adolescente, as autoridades recomendam as seguintes providências:

  • Polícia Militar — 190: quando a criança está em risco imediato;
  • Samu — 192: para socorro médico urgente;
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
  • Qualquer delegacia de polícia;
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos de forma anônima;
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros e psicólogos têm obrigação de notificar suspeitas às autoridades competentes, que encaminham o caso ao conselho tutelar e à polícia;
  • WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
  • Ministério Público;
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Denúncias e informações que possam ajudar a localizar e interromper redes de exploração infantil devem ser repassadas com prioridade às autoridades policiais locais e federais.

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