Anthropic diz ter identificado Rússia, China, Irã e Iêmen entre países que usaram sua IA para propaganda e pesquisas potencialmente perigosas
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Anthropic diz ter identificado Rússia, China, Irã e Iêmen entre países que usaram sua IA para propaganda e pesquisas potencialmente perigosas

Relatório interno aponta uso do modelo Claude em campanhas de desinformação, desenvolvimento de drones de combate e em consultas com possível aplicação para agentes biológicos; empresa afirma ter bloqueado os acessos detectados

Redação Portal Web Dicas 3 min de leitura Tecnologia

A Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, informou ter detectado tentativas de uso de sua tecnologia por governos para fins como produção de propaganda, desenvolvimento de drones militares e pesquisas que poderiam ter aplicação biológica. Segundo informações presentes em um relatório interno a que um jornal teve acesso, Rússia, China, Irã e Iêmen estão entre os países citados.

De acordo com o documento, a empresa afirma ter interrompido o acesso ao serviço em todos os casos identificados. A companhia também relatou que, em várias situações, não foi possível confirmar se as consultas relacionadas a biologia tinham objetivos legítimos — como a pesquisa de vacinas — ou finalidade maliciosa, já que os mesmos procedimentos técnicos podem servir tanto para avanços médicos quanto para a criação de patógenos.

O relatório lista usos diversos considerados maliciosos ou suspeitos, entre eles:

  • uso do Claude para criar material de propaganda mascarado como reportagens, em um episódio relacionado às eleições na Moldávia atribuído à Rússia;
  • consultas supostamente ligadas ao desenvolvimento de drones e outras capacidades militares;
  • investigações que, segundo a Anthropic, indicam monitoramento de opositores exilados, apontadas em casos envolvendo China e Irã;
  • pesquisas com possíveis aplicações em biologia — cuja intenção final não pôde ser determinada com segurança.

Quando havia incerteza sobre o propósito ou o risco potencial das solicitações, a Anthropic optou por interromper o serviço por precaução. A empresa, porém, não divulgou detalhes das medidas de bloqueio: o relatório não traz nomes de pesquisadores ou instituições, nem indica explicitamente os países de vínculo dos alvos nem os agentes biológicos mencionados.

O documento também ressalta uma preocupação amplamente compartilhada por especialistas em segurança: modelos de IA avançados podem acelerar processos que facilitem a criação de agentes biológicos conhecidos ou até novos. Essa capacidade é vista como uma das principais fontes de inquietação em relação ao avanço rápido da tecnologia e à dificuldade de estabelecer controle total sobre ela.

Além da divulgação do relatório, a Anthropic voltou a ser alvo de atenção pública nesta semana por críticas vindas de um ex-pesquisador. Jacob Coxon, britânico de 27 anos que trabalhou nos últimos três anos com a etapa de pré-treinamento de modelos, escreveu na rede social X que “nenhuma das empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas”.

Em outra publicação, Coxon afirmou: “As pessoas que estão construindo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos até o fim da década. Isto não é uma jogada de marketing”. As críticas do ex-funcionário mencionam tanto a Anthropic quanto outra grande desenvolvedora de IA.

A empresa diz que segue políticas de mitigação e monitoramento para detectar usos indevidos e que age bloqueando acessos quando identifica risco plausível. Fontes no relatório pedem atenção sobre o equilíbrio entre permitir pesquisas legítimas em áreas como saúde e evitar que ferramentas poderosas sejam empregadas para fins danosos.

Informações sobre os casos citados constam em reportagem publicada em 10 de setembro de 2026, com base no relatório interno da Anthropic.

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