Albin Kurti é reeleito primeiro‑ministro do Kosovo, mas impasse presidencial mantém crise política
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Albin Kurti é reeleito primeiro‑ministro do Kosovo, mas impasse presidencial mantém crise política

Kurti obteve 62 votos no Parlamento de 120 cadeiras; disputa sobre a eleição do presidente pode levar o país à quarta votação antecipada em dois anos

Redação Portal Web Dicas 3 min de leitura Mundo

O Parlamento de Kosovo reelegeu Albin Kurti como primeiro‑ministro neste domingo, 13 de setembro de 2026, após o partido dele ter ficado em primeiro lugar nas eleições de junho. Apesar da formação de um novo executivo, a crise política no país permanece, devido a um impasse sobre a escolha do próximo presidente que pode obrigar a realização de mais uma eleição antecipada.

Na votação para a chefia do governo, Kurti recebeu 62 votos em uma assembleia com 120 cadeiras. Em discurso ao Parlamento antes da votação, o primeiro‑ministro sinalizou prioridades do novo mandato, citando segurança e melhorias nas condições de vida da população. “Este mandato é para restaurar com força a segurança e a prosperidade dos cidadãos”, declarou Kurti, e afirmou que a sucessão de eleições tem prejudicado o funcionamento do Executivo.

O principal ponto de tensão agora é a eleição do presidente, cargo que exige dois terços dos votos parlamentares — ou seja, 80 dos 120 deputados — para a escolha do chefe de Estado. Sem um candidato capaz de obter esse apoio qualificado, o país corre o risco de convocar uma nova eleição antecipada; seria a quarta em apenas dois anos.

No fim de agosto, Kurti fechou um acordo com a Liga Democrática de Kosovo (LDK), que detém 18 parlamentares, para apoiar o professor de Direito Bekim Sejdiu na disputa pela presidência. Um dia depois, entretanto, seis deputados da LDK anunciaram que não acatariam a orientação da direção do partido, fragilizando a coalizão e tornando incerta a data para a votação presidencial.

A sessão deste domingo também foi marcada por boicotes da oposição: o Partido Democrático de Kosovo (PDK) e a Aliança não compareceram à votação. Essas legendas anunciaram a intenção de recorrer à Corte Constitucional para questionar possíveis irregularidades na constituição do Parlamento. A LDK igualmente não participou da votação que reelegeu Kurti.

Especialistas e autoridades europeias têm observado que a instabilidade política tem afetado o ritmo das reformas exigidas por Bruxelas. Kosovo, um dos países mais pobres da Europa, busca avançar no processo de adesão à União Europeia, mas a Comissão Europeia tem reiterado que o progresso depende de instituições estáveis e da capacidade de implementar mudanças estruturais. A instabilidade recente já provocou atrasos nas reformas e dificultou o acesso do país a fundos e apoios da UE.

Não há, por enquanto, uma data definida para a próxima votação presidencial. Caso o Parlamento não consiga reunir os 80 votos necessários, o calendário constitucional prevê a realização de eleições antecipadas — cenário que ampliaria a já longa fase de incerteza política no país.

Criança balança a bandeira de Kosovo durante comemoração do dia da independência do país (foto registrada por Visar Kryeziu/AP).

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