Sistema eleitoral dos Estados Unidos possui filtros que barram figuras caricatas antes das urnas, enquanto criadores da internet tentam espaço
No Brasil, o eleitor já se acostumou a ver figuras folclóricas e cômicas nas urnas, como Tiririca, Cabo Daciolo e Padre Kelmon, que viralizam nas redes e conquistam votos.
Nos Estados Unidos, no entanto, é extremamente incomum encontrar candidatos meme disputando as eleições gerais ou ocupando cadeiras no Congresso americano.
Essa ausência quase total de perfis inusitados decorre diretamente do próprio modelo adotado no país, conforme informação divulgada pelo g1.
As regras do sistema eleitoral e o impacto do voto distrital
A primeira grande barreira para os candidatos meme nas eleições dos EUA ocorre nas primárias, momento em que os partidos Democrata e Republicano escolhem seus representantes oficiais.
Como as legendas fazem prévias competitivas, os concorrentes considerados menos preparados ou puramente caricatos costumam ser cortados logo no início da disputa partidária.
Além disso, o modelo de voto distrital faz com que a população priorize nomes com atuação local forte e serviços já prestados à sua própria comunidade.
O comentarista da GloboNews, Marcelo Lins, explica as diferenças estruturais: “Por aqui [no Brasil], um candidato que vem, por exemplo, de um personagem de TV, ou alguém muito histriônico, quando se candidata, pode chamar votos para o partido dele e ajudar a eleger outros candidatos. Além disso, ao se inscrever no partido, automaticamente ele tem direito a propaganda gratuita na televisão, que dá uma visibilidade e faz com que seja mais conhecido e facilmente eleito”.
Essa dinâmica não se repete entre os norte-americanos. “Nos Estados Unidos, no sistema de voto distrital, cada candidato só chama votos para si mesmo em cada distrito, e não tem propaganda eleitoral gratuita. O candidato precisa pagar por cada espaço que ele quer na TV por lá”, complementa Lins.
Influenciadores tentam transformar seguidores em votos
Mesmo sem o surgimento de um Tiririca americano, existe uma tendência em crescimento nos Estados Unidos: o avanço de celebridades digitais na corrida eleitoral.
No Texas, o youtuber Brandon Herrera, conhecido na internet como “The AK Guy” e com mais de 4 milhões de inscritos em seu canal de armas, disputa a Câmara dos Representantes.
Entretanto, ter milhões de visualizações ou facilidade para arrecadar recursos online não assegura vida fácil nas urnas nem vitória automática contra políticos tradicionais.
Fama nas redes sociais não garante sucesso na votação
O ex-agente da CIA, Adam Dunigan, virou produtor de conteúdo de geopolítica após sair da agência, mas ficou em terceiro lugar na primária democrata na Virgínia, com pouco mais de 9 mil votos.
A vaga ficou com o deputado Donald Sternoff Beyer Jr., atual representante que venceu a prévia para tentar a reeleição com expressivos 69% dos votos.
Outro exemplo foi o ator Luke Gulbranson, do reality show “Summer House”, que disputou a vaga em Minnesota e acabou derrotado com 17,1% dos votos por Trina Swanson, servidora pública há 25 anos.
Em Michigan, Shelby Campbell apostou em danças e vídeos polêmicos nas redes sob o perfil @shelby4congress, mas acabou desqualificada e nem constou na cédula de votação das primárias.
