Professora aprovada em concurso público no Rio Grande do Sul enfrenta barreira médica e é considerada inapta por incompatibilidade geográfica
Uma situação inusitada chamou atenção no cenário dos concursos públicos do Rio Grande do Sul, envolvendo uma candidata altamente qualificada que acabou barrada por critérios médicos inusitados.
A polêmica gira em torno do conceito de incompatibilidade geográfica, termo utilizado para impedir a posse de uma profissional aprovada com excelente aproveitamento em seleção federal.
Conforme informação divulgada pelo portal UOL, o caso gerou grande repercussão e levantou debates importantes sobre os direitos das pessoas com deficiência no serviço público brasileiro.
Trajetória acadêmica e a aprovação no concurso
A protagonista desta história é Manoella Treis, de vinte e nove anos, que construiu uma trajetória acadêmica brilhante antes mesmo de alcançar a fase adulta em sua área de atuação.
Ela é formada em administração e concluiu um doutorado aos vinte e quatro anos pela renomada Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acumulando vasta bagagem intelectual.
O edital do certame foi lançado em dois mil e vinte e três, sendo que a docente foi aprovada como professora efetiva no Instituto Federal do Rio Grande do Sul em vaga reservada para pessoas com deficiência.
O diagnóstico e a justificativa da junta médica
A profissional esbarrou no que foi justificado como incompatibilidade geográfica após passar por avaliações médicas oficiais exigidas pela própria instituição de ensino federal.
A junta médica concluiu que a cidade onde ela precisaria exercer o cargo não possui estrutura adequada para que ela continue com seus tratamentos de saúde de forma contínua e segura.
Manoella tem endometriose, Transtorno do Espectro Autista e faz tratamento com medicamento injetável para uma condição imunológica chamada doença inflamatória tipo dois.
A defesa da candidata e a experiência prévia
Em entrevista ela afirmou categoricamente que tem total capacidade para trabalhar e cumprir todas as suas atribuições profissionais com excelência e dedicação.
Ela destacou que, ao contrário do informado pela própria instituição no exame médico, a estrutura do campus de Veranópolis não compromete de forma alguma o seu tratamento médico regular.
Vale ressaltar que ela trabalhou presencialmente como professora substituta no mesmo campus entre dois mil e vinte e dois e dois mil e vinte e quatro, sem apresentar qualquer problema.
Próximos passos e a busca por justiça
Durante o período em que atuou como professora substituta, ela já possuía as mesmas condições de saúde e realizava os tratamentos sem solicitar adaptações especiais para trabalhar.
Sua única necessidade real era organizar sua própria rotina de tratamento para a aplicação semanal da medicação prescrita por seus médicos acompanhantes na área da saúde.
Agora, inconformada com a decisão que barrou sua posse, a professora recorre administrativamente para reverter a situação e garantir o direito de assumir o cargo público conquistado.
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