Carregando cotações…

Mundo

Como o ataque de 7 de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio

Como o sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio e transformou a geopolítica global O mundo completou três anos desde o trágico ataque realizado pelo…

Ver resumo
  • Como o sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio e transformou a geopolítica global O mundo completou três anos…
  • Esse episódio violento tirou a vida de cerca de 1,2 mil pessoas e desencadeou uma reação militar implacável por parte de Israel,…
  • A partir desse ponto de virada na história mundial, a região da Ásia Ocidental passou a registrar uma sucessão dramática de acontecimentos,…
Capa ilustrando como ataque sete outubro e o redesenho de alianças no Oriente Médio

Como o sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio e transformou a geopolítica global

O mundo completou três anos desde o trágico ataque realizado pelo Hamas contra vilas ao sul de Israel, um evento marcante que aconteceu no dia sete de outubro de 2023. Esse episódio violento tirou a vida de cerca de 1,2 mil pessoas e desencadeou uma reação militar implacável por parte de Israel, gerando uma crise humanitária sem precedentes na Faixa de Gaza.

A partir desse ponto de virada na história mundial, a região da Ásia Ocidental passou a registrar uma sucessão dramática de acontecimentos, guerras e reviravoltas políticas. A correlação de forças mudou completamente com a criação e o desmonte de importantes alianças internacionais que ditavam as regras diplomáticas e econômicas do planeta.

Para entender melhor toda essa complexidade e os impactos profundos na política internacional, analisamos as principais transformações geopolíticas registradas desde então, conforme informação divulgada pela Agência Brasil, detalhando a seguir como os blocos de poder foram totalmente reorganizados.

O fim do bloco tradicional e a nova divisão no Golfo

Segundo a avaliação do professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Bruno Huberman, o bloco tradicional pró Estados Unidos simplesmente não existe mais na região. Houve um rompimento visível entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos durante os confrontos diretos contra o Irã nos últimos anos.

Enquanto a Arábia Saudita tentou manter uma postura de menor agressividade aberta, os Emirados Árabes Unidos se juntaram diretamente a Israel para participar das investidas militares ao lado dos norte-americanos. Esse racha provocou até mesmo a saída dos Emirados da Organização dos Países Produtores de Petróleo, o cartel liderado historicamente pelos sauditas.

Leia Também:  Alerta na Rússia devido à morte em laboratório que gerou investigação de peste pneumônica mobiliza autoridades e gera preocupação internacional

Além disso, a professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado Isabela Agostinelli destacou que a questão palestina foi recolocada no centro das discussões globais. Ela afirmou que a Arábia Saudita estava na iminência de normalizar relações com Israel, mas recuou ao declarar que não há acordo possível sem uma solução justa para os palestinos.

Acordo militar de Meca e a nova política de não alinhamento

Como reflexo direto desse cenário de instabilidade e do prolongamento dos conflitos, a Turquia, a Arábia Saudita e o Paquistão assinaram o chamado Acordo de Defesa Conjunta de Meca. Essa nova aliança militar islâmica estabelece que qualquer agressão sofrida por um desses países membros será considerada imediatamente uma ação contra todos do grupo.

Apesar de contar com países que historicamente mantêm laços estreitos com os Estados Unidos, o novo bloco regional surpreendeu analistas por não apresentar o Irã como a principal ameaça à estabilidade. O professor Bruno Huberman ressaltou que essa coalizão busca claramente uma política de não alinhamento equilibrada entre potências como Estados Unidos, China e Rússia.

Essa reorganização transformou o mapa de influências em três grandes blocos distintos. De um lado estão os países ultra-aliados dos americanos, como Israel e Emirados Árabes Unidos, e do outro o grupo intermediário formado por Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, além do tradicional Eixo da Resistência que reúne atores opositores na região.

O enfraquecimento do Eixo da Resistência e o fator econômico

Especialistas apontam que o Eixo da Resistência sofreu um desgaste considerável nos últimos anos, perdendo força militar e política após a queda do governo de Bashar al Assad na Síria e o forte enfraquecimento do Hezbollah no Líbano. Atualmente, apenas o Irã se mantém como uma força estatal expressiva, enquanto grupos armados não estatais enfrentam grandes dificuldades.

Leia Também:  Alemão é acusado de tráfico humano: brasileiros relatam exploração após convite por aplicativos

Por trás de toda essa movimentação geopolítica, acadêmicos lembram que existiam grandes projetos logísticos e econômicos em disputa, a exemplo do Corredor Econômico Índia Oriente Médio Europa anunciado exatamente um mês antes do ataque. Esse projeto ambicioso pretendia aproximar energeticamente a Europa dos países árabes e da Índia.

Por fim, os pesquisadores reforçam que a ação militar do Hamas também representou uma resposta direta aos longos anos de ocupação e colonização dos territórios palestinos. O cenário atual demonstra que a estabilidade no Oriente Médio continuará incerta enquanto questões territoriais e humanitárias fundamentais não forem devidamente solucionadas pela comunidade internacional.

Mais sobre este assunto