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De refém das FARC a biólogo: Diego Calderón reúne ex-guerrilheiros para observar aves

Secuestrado em 2004, Calderón usa a observação de pássaros como ferramenta de reconciliação e capacitação em áreas antes inacessíveis pelo conflito

Redação Portal Web Dicas • • 2 min de leitura • Mundo

Diego Calderón-Franco, biólogo colombiano que foi sequestrado pelas FARC em 2004, hoje lidera expedições e cursos de observação de aves em que participa junto de ex-combatentes do mesmo grupo armado que o prendeu por 88 dias na Serranía del Perijá.

O episódio do sequestro ocorreu quando Calderón era estudante de biologia na Universidade de Antioquia e realizava uma expedição científica na região citada. A experiência —e as longas semanas no mato— marcaram a trajetória do pesquisador, que posteriormente voltou ao campo profissionalmente e transformou o avistamento de aves em instrumento tanto de divulgação científica quanto de aproximação entre populações afetadas pelo conflito.

Com o avanço do processo de paz que culminou na assinatura do acordo entre o governo colombiano e as FARC, iniciativas para explorar áreas antes fechadas ao trabalho científico tornaram-se possíveis. A partir de 2016, Calderón passou a organizar e conduzir capacitações de observação de aves envolvendo ex-guerrilheiros —já foram cerca de dez ações desse tipo— e transformou relatos e experiências dessas expedições em palestras, incluindo a que ficou conhecida como “Pajariando com as FARC”.

Além de promover a reconciliação simbólica entre vítima e antigos combatentes, os programas de aviturismo e expedições científicas servem para identificar biodiversidade em territórios que por décadas estiveram fora do alcance de pesquisadores. Projetos colaborativos entre cientistas e ex-combatentes têm registrado espécies e contribuído para pesquisas botânicas e ornitológicas nessas áreas.

Calderón também atua como palestrante e guia internacional de observação de aves, e relatos jornalísticos e institucionais ressaltam que a participação de ex-integrantes das FARC nas atividades de campo tem gerado oportunidades de trabalho e maior visibilidade para iniciativas de turismo sustentável e conservação.

O retorno do pesquisador aos mesmos territórios onde viveu o sequestro, agora em missões conjuntas com antigos sequestradores, exemplifica uma face do pós-conflito colombiano em que reconhecimento de saberes locais e projetos ambientais se cruzam para viabilizar reintegração social e descoberta científica.

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