Mulher relata que namorado a estuprava enquanto ela dormia; ele foi condenado a 6 anos e 8 meses
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Mulher relata que namorado a estuprava enquanto ela dormia; ele foi condenado a 6 anos e 8 meses

Adelle Overton, que vive em Derby, contou que Steven Uden aproveitava-se de seu estado de sono e de medicamentos durante anos; o caso terminou com confissão e prisão.

Redação Portal Web Dicas • • 5 min de leitura • Mundo

Adelle Overton diz que viveu por mais de uma década ao lado de um homem em quem confiava e que, por baixo dessa aparente normalidade, ela era vítima de crimes sexuais enquanto dormia.

Início da relação e rotina comum

Adelle e Steven Uden se conheceram em 2009 durante as filmagens de um filme com temática de zumbis em Nottingham. Na época ela tinha 29 anos e ele, 27. Mantiveram primeiro uma amizade ligada ao meio artístico — Uden trabalhava com maquiagem e atuava, e Adelle participava do elenco — e, em 13 de janeiro de 2012, decidiram iniciar um namoro.

Ao longo dos anos o casal teve uma vida atípica: ambos chegaram a trabalhar caracterizados como zumbis para uma empresa de entretenimento. Segundo Adelle, o relacionamento, nos primeiros anos, parecia carinhoso e de apoio mútuo.

Doença, dependência e sinais de controle

Em 2017 Adelle foi diagnosticada com síndrome de Ehlers-Danlos, condição que afeta tecidos conjuntivos e que a obrigou a deixar as atividades físicas do trabalho como zumbi. No início de 2018, Uden passou a exercer, oficialmente, o papel de cuidador.

Com o tempo, ela percebeu atitudes controladoras: decisões sobre o que poderia ou não fazer passaram a ser tomadas por ele e comentários de terceiros eram usados para justificar limitações colocadas por Uden. Apesar do apoio material em alguns momentos — como cuidados durante tratamentos médicos — a relação ganhou contornos que a deixaram desconfortável.

Primeiras suspeitas durante quimioterapia

Em 2020, enquanto fazia quimioterapia para tratar um câncer de mama, Adelle começou a desconfiar que algo mais grave ocorria. Relata ter acordado em uma ocasião sabendo que Uden estava mantendo relação sexual com ela e que, na explicação que recebeu, ele alegou ter interpretado sons como indício de que ela estava acordada.

Na época, ela preferiu acreditar nas justificativas dadas por Uden, em parte por conta do estresse do tratamento e da dependência que tinha dele. Depois desse episódio passou a ter problemas de sono, pesadelos relacionados a abusos anteriores e dificuldade de retomar a intimidade com o parceiro.

A confissão, a denúncia e a investigação

Cinco anos depois, em 2025, Uden estava em tratamento para um câncer intestinal. Em conversa prolongada com a companheira ele admitiu ter falhado nos cuidados e, perante um amigo, reconheceu ter cometido atos sexuais sem o consentimento dela enquanto ela dormia. Em seguida, voltou para casa e confessou diretamente a Adelle.

Abalada, ela relatou o ocorrido a uma sessão de terapia em grupo, onde uma conselheira a orientou a chamar a polícia. Conforme a própria vítima recebeu esse apoio, as medidas de proteção foram tomadas naquele mesmo dia.

A detetive Eleanor Kirton, da polícia do condado de Derbyshire, assumiu o caso. Após colher o depoimento de Adelle, os agentes prenderam Uden. Segundo a investigadora, em depoimento ele confessou de imediato o que havia feito — algo incomum, de acordo com a polícia local — e acabou sendo acusado formalmente.

Processo, provas e pena

Uden foi acusado de dois crimes de estupro. Em juízo ele declarou-se culpado das acusações e foi condenado a seis anos e oito meses de prisão.

Adelle suspeita que o companheiro a teria dopado em algumas ocasiões com medicamento sob seu controle — ela afirma que Uden era responsável por separar seus comprimidos — e que, durante ciclos de quimioterapia, doses dos sedativos teriam sido maiores para mantê-la dormindo. Exames forenses e toxicológicos, no entanto, não confirmaram essa hipótese, e não houve apresentação desse tipo de prova no tribunal.

Escala e consequências do abuso

Embora o processo tenha coberto duas ocasiões formais de estupro, Adelle acredita que os abusos ocorreram com maior frequência. Ela relata que Uden lhe disse ter praticado os atos “sete ou oito vezes”.

A filha de Adelle, Shari Overton, afirmou que a mãe mudou muito desde que os crimes vieram à tona: a confiança de Adelle ficou abalada, mas Shari demonstrou orgulho pela coragem da mãe em denunciar e levar o caso adiante.

Repercussão e apelo

A detetive Eleanor Kirton destacou que a atitude de Adelle ajudou a proteger outras possíveis vítimas e encorajou pessoas em situações semelhantes a relatarem abusos. Segundo Kirton, existem medidas que a polícia pode tomar para oferecer proteção e suporte.

Adelle diz esperar que seu relato sirva de alerta para outras pessoas vulneráveis, especialmente quem vive com deficiência ou depende de cuidadores, mostrando que não é obrigatório aceitar violência de quem deveria oferecer cuidado.

Contexto médico

Especialistas em saúde destacam que tratamentos como a quimioterapia podem aumentar a fadiga e a sensibilidade a medicamentos sedativos, circunstâncias que ampliam a vulnerabilidade de pacientes em relação a abusos. Doenças que exigem cuidados diários também podem criar dinâmicas de dependência que facilitam situações de controle e exploração quando o cuidador se aproveita dessa posição.

Adelle continua em tratamento e em acompanhamento psicológico. A polícia e os serviços de apoio locais têm incentivado denúncias e oferecido orientações a quem se encontra em situação de risco.

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