Irã diz ter apresentado plano para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias, mas afirma que decisão cabe aos EUA
Mundo

Irã diz ter apresentado plano para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias, mas afirma que decisão cabe aos EUA

Chanceler iraniano levou condições a enviado americano em Nova York; presidente do país diz que Teerã não quer prolongar o conflito e está disposto a negociar

Redação Portal Web Dicas • • 3 min de leitura • Mundo

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (25/09/2026) que Teerã enviou aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, caso sejam atendidas determinadas condições.

Segundo Araghchi, que viajou a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, a proposta foi entregue ao enviado americano Steve Witkoff na terça-feira (23). Ele disse que, se as exigências iranianas forem cumpridas, o tráfego marítimo habitual poderá ser restabelecido no prazo de uma semana — mas ressaltou que a decisão final depende de Washington.

O governo iraniano listou publicamente parte das condições exigidas para suspender as hostilidades e permitir a reabertura do estreito, ponto estratégico por onde passa grande parte do comércio marítimo de petróleo do Golfo:

  • cessação de sete dias de todas as operações militares na região do Oriente Médio, inclusive no Líbano;
  • desbloqueio de ativos iranianos congelados, avaliados em ao menos US$ 12 bilhões;
  • levantamento das sanções que atingem o setor petrolífero iraniano;
  • fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã.

Outros pontos mencionados por representantes iranianos incluem a exigência de garantias para o trânsito marítimo e o fim das hostilidades no Iêmen, condição citada também pelo porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi. Araghchi disse esperar uma resposta de Washington e afirmou que a China apoia a proposta.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou em entrevista à emissora americana Fox News que o Irã não deseja a continuidade da guerra e que cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrá-la. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (24), Pezeshkian adotou tom firme ao afirmar que seu país não se submeterá a coerção e que está disposto a negociar para pôr fim ao conflito.

Pezeshkian também negou que o grupo houthi, que atua no Iêmen e é apoiado por Teerã segundo muitos governos, receba ordens diretas do Irã, dizendo que os rebeldes são responsáveis por suas próprias ações. O presidente lembrou que o movimento assumiu recentemente o controle do Estreito de Bab el-Mandeb em confrontos que causaram centenas de mortos e que, neste mês, os houthis atacaram alvos na Arábia Saudita, incluindo Riad.

Em junho, os presidentes dos Estados Unidos e do Irã haviam assinado um acordo com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Autoridades dos dois lados afirmam, porém, que a interpretação do acordo divergiu, fato que foi seguido pela retomada das hostilidades na região.

Desde o começo do conflito, o tráfego no Estreito de Ormuz tem enfrentado restrições: o Irã exige que embarcações obtenham autorização prévia para a travessia, medida que tem levado a confrontos com navios que não cumprem a exigência; por sua vez, os Estados Unidos têm realizado ataques contra alvos costeiros iranianos.

Agências e jornais estrangeiros haviam divulgado inicialmente a proposta iraniana; a imprensa estatal do país chegou a negar versões preliminares, e até o momento não houve uma declaração única e formal que reúna todas as posições do governo sobre cada ponto da oferta.

Leia também: ONU aprova resolução unânime cobrando ações urgentes contra a elevação do nível do mar

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *