Yasuo Takamatsu passou mais de uma década voltando ao mar em busca de Yuko, sua esposa desaparecida quando o tsunami atingiu a costa nordeste do Japão em 11 de março de 2011. A soma das imersões realizadas por Takamatsu ultrapassa os 760 mergulhos, com registro de sua 763ª descida em 2026.
No dia do desastre, Yuko trabalhava na agência local do banco conhecida como 77 Bank, em Onagawa; durante a onda ela enviou uma última mensagem ao marido com as palavras “Are you OK? I want to go home” — a comunicação permanece como lembrança do momento em que foi levada pelo mar. O celular dela foi recuperado posteriormente e continha uma mensagem não enviada que indicava a intensidade da emergência.
Sem conseguir encerrar a procura por meios convencionais, Takamatsu aprendeu a mergulhar em 2013 e passou a mapear o leito de Onagawa Bay. Desde então ele retorna ao mar com regularidade — muitas vezes quinzenalmente — em busca de roupas, objetos pessoais ou demais sinais que permitam localizar ou identificar os restos da esposa, mas até o momento não encontrou vestígios que levassem a uma confirmação definitiva.
Ao longo das imersões, Takamatsu e outros mergulhadores encontraram itens dispersos pelo fundo — álbuns, peças de roupa e detritos arrastados pelo tsunami — mas nenhuma prova capaz de comprovar a localização de Yuko. Para ele, o mergulho tornou-se tanto uma forma de busca quanto um ritual de memória.
O terremoto de 11 de março de 2011 teve magnitude aproximada de 9,0 e gerou um tsunami que devastou comunidades costeiras do nordeste do Japão, causando milhares de mortos e desaparecidos e profundas mudanças na paisagem e na vida local.
Uma produção em áudio que acompanhou uma das imersões documentou a persistência da busca em 2026, quando Takamatsu realizou a imersão registrada como sua 763ª. A história exemplifica as consequências pessoais de um desastre que ainda reverbera nas comunidades afetadas e na memória de quem perdeu parentes e amigos.
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