O primeiro‑ministro do Canadá, Mark Carney, declarou neste domingo (13/09/2026) que o país pretende impulsionar uma “aliança única” com a União Europeia, mantendo, contudo, a intenção de não se tornar membro do bloco.
A fala ocorreu durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, depois que publicações na imprensa relataram que Ottawa estaria avaliando formas de estreitar formalmente os laços com o bloco europeu. Segundo o primeiro‑ministro, a proposta visa iniciar conversas para criar um relacionamento novo e específico entre as duas partes, e não para abrir processo de adesão.
“Não estamos buscando nos tornar membros da União Europeia. O que estamos buscando, e para o que vamos iniciar discussões, é uma aliança única entre o Canadá e a União Europeia”, afirmou Carney a jornalistas.
O premiê ressaltou que Canadá e União Europeia compartilham valores e prioridades e possuem forças complementares que justificariam uma aproximação mais estruturada. A movimentação ocorre em um contexto de tensões comerciais crescentes entre Ottawa e Washington.
O que está em discussão
De acordo com as reportagens, as negociações exploram a criação de um status associado inédito, que exigiria a formulação de regras específicas para um país fora do modelo tradicional de entrada no bloco. Autoridades ouvidas pela imprensa disseram que ainda é cedo para definir a forma jurídica desse relacionamento.
Na prática, as propostas em análise incluem medidas para facilitar a circulação de bens, serviços e profissionais em setores considerados estratégicos, tais como:
- energia;
- defesa;
- inteligência artificial e tecnologia;
- minerais críticos.
Também estão sobre a mesa projetos de infraestrutura e cooperação digital: instalação de cabos submarinos, construção de centros de dados, expansão de sistemas de armazenamento em nuvem, desenvolvimento de novas redes de satélite e investimentos para exportar energia canadense à Europa.
Agenda diplomática e interlocuções
O gabinete de Carney confirmou, em 12 de setembro, que o primeiro‑ministro viajará à França e ao Reino Unido na semana seguinte. Em Estrasburgo, ele fará um discurso no Parlamento Europeu e participará da apresentação sobre o Estado da União Europeia feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Fontes informaram à imprensa que Carney tem mantido contatos frequentes com líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron. A Presidência da França confirmou um encontro entre Macron e Carney em 20 de setembro, em Saint‑Pierre e Miquelon, território francês próximo à costa do Canadá.
Motivações e obstáculos
O movimento canadense é interpretado por analistas como uma resposta às dificuldades nas relações comerciais com os Estados Unidos, agravadas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca no ano passado. Divergências bilaterais levaram à imposição de tarifas sobre trocas comerciais que somam dezenas de bilhões de dólares.
Em declarações neste domingo, Trump voltou a criticar o Canadá, classificando o país como “o pior para negociar” e afirmando que acredita que os canadenses estejam “loucos para fechar um acordo”. O presidente dos EUA também reafirmou a intenção de aplicar novas tarifas sobre automóveis, caminhões e autopeças importados do Canadá a partir de 1º de janeiro.
Por outro lado, iniciativas semelhantes enfrentam resistências dentro da própria União Europeia. O acordo comercial abrangente entre Canadá e UE (aplicado provisoriamente) foi assinado há mais de uma década; nove anos após a entrada em vigor provisória, ainda não houve ratificação por parte de vários Estados‑membros, o que ilustra as dificuldades políticas para selar compromissos mais profundos.
Próximos passos
Nas próximas semanas, Carney deverá apresentar sua proposta em fóruns europeus e manter diálogos bilaterais para avaliar a viabilidade técnica e política de um novo formato de cooperação. Representantes da Comissão Europeia foram procurados pela imprensa, mas não emitiram comentário até o momento.
Se avançarem, as propostas exigirão negociações complexas sobre critérios legais, proteção de interesses estratégicos e consensos entre os países do bloco para criar uma categoria excepcional de associação com um parceiro transatlântico.
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