Greve dos Correios segue por tempo indeterminado; TST marca julgamento do dissídio para 21 de setembro
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Greve dos Correios segue por tempo indeterminado; TST marca julgamento do dissídio para 21 de setembro

Federação confirma paralisação iniciada em 11 de setembro; tribunal exigiu manutenção de 80% do efetivo e empresas acionaram plano de continuidade

Redação Portal Web Dicas 4 min de leitura Economia

São Paulo — Atualizado 14/09/2026 10h07

A paralisação nacional dos trabalhadores dos Correios permanece em vigor sem data prevista para terminar, informou a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT). A mobilização teve início na sexta‑feira, 11 de setembro, depois que a proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028 foi rejeitada em assembleias.

Reivindicações e impasse

A categoria exige avanços nas negociações, manutenção de direitos e garantias, com foco especial no plano de saúde que atende empregados, aposentados e dependentes — apontado pela federação como um dos principais pontos de divergência com a direção da estatal.

Medidas da empresa para reduzir impactos

Os Correios informaram ter acionado o Plano de Continuidade de Negócios para tentar mitigar os efeitos da paralisação. Entre as ações anunciadas estão o remanejamento de veículos, a mobilização de funcionários administrativos para apoio nas atividades operacionais e a realização de mutirões logísticos. Segundo a estatal, a rede de agências segue atendendo o público.

A empresa não detalhou, no entanto, se haverá alterações nos prazos de entrega nem quais áreas do país poderão ser mais afetadas pela paralisação. Para casos específicos, os clientes podem procurar os canais oficiais de atendimento pelos telefones 4003‑8210 e 0800‑881‑8210 ou pelos canais digitais da companhia.

Decisão judicial e calendário

Após o encerramento da mediação sem acordo, a estatal ajuizou pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) na sexta‑feira (11). No sábado (12), o tribunal concedeu liminar determinando a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a paralisação.

A medida abrange trabalhadores das unidades de atendimento, centros de tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas essenciais à continuidade da cadeia postal. O julgamento do dissídio coletivo foi agendado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST; as partes ainda podem fechar um acordo antes da sessão.

Orientação dos sindicatos

A FINDECT orientou os sindicatos filiados a manterem a greve e as mobilizações até que haja uma resposta satisfatória nas negociações. A entidade afirma permanecer aberta ao diálogo e defende a construção de uma proposta que possa ser submetida à aprovação dos trabalhadores.

Regiões que aderiram

De acordo com a federação, as seguintes entidades sindicais aprovaram a paralisação:

  • SINTECT‑AC (Acre) — assembleia prevista para hoje
  • SINTECT‑AL (Alagoas)
  • SINTECT‑AM (Amazonas)
  • SINTECT‑AP (Amapá)
  • SINTECT‑BA (Bahia)
  • SINTECT‑CAS (Campinas)
  • SINTECT‑CE (Ceará)
  • SINTECT‑DF (Distrito Federal)
  • SINTECT‑ES (Espírito Santo)
  • SINTECT‑GO (Goiás)
  • SINTECT‑JFA (Juiz de Fora)
  • SINTECT‑MG (Minas Gerais)
  • SINTECT‑MT (Mato Grosso)
  • SINTECT‑RO (Rondônia)
  • SINCORT‑PA (Pará)
  • SINTECT‑PB (Paraíba)
  • SINTECT‑PE (Pernambuco)
  • SINTECT‑PI (Piauí)
  • SINTCOM‑PR (Paraná)
  • SINTECT‑RN (Rio Grande do Norte)
  • SINTECT‑RR (Roraima)
  • SINTECT‑RPO (Ribeirão Preto)
  • SINTECT‑RS (Rio Grande do Sul)
  • SINTECT‑SC (Santa Catarina)
  • SINTECT‑SE (Sergipe)
  • SINTECT‑SJO (São José do Rio Preto)
  • SINTECT‑SMA (Santa Maria)
  • SINTECT‑TO (Tocantins)
  • SINTECT‑URA (Uberaba)
  • SINTECT‑VP (Vale do Paraíba)
  • SINDECTEB (Bauru e região)
  • SINTECT‑MA (Maranhão)
  • SINTECT‑MS (Mato Grosso do Sul)
  • SINTECT‑RJ (Rio de Janeiro)
  • SINTECT‑Santos (Santos e região)
  • SINTECT‑SP (São Paulo)

Contexto econômico

A empresa pública acumula 15 trimestres consecutivos com resultado negativo. No primeiro semestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões. O prejuízo do segundo trimestre foi menor que o das duas janelas anteriores, após um resultado recorde negativo no primeiro trimestre do ano.

Os Correios informaram esperar a contratação de um novo empréstimo até 15 de setembro. Segundo apurações, o financiamento deve vir de um consórcio que inclui bancos estrangeiros — Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank — e o Banrisul. No fim do ano passado, a estatal recebeu uma injeção de R$ 12 bilhões; para este ano, as demonstrações financeiras do primeiro semestre já registraram a expectativa de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões.

O que vem a seguir

Enquanto não houver um desfecho no TST ou um acordo entre as partes, a paralisação se mantém. O cumprimento da liminar que exige 80% do efetivo pode reduzir, em teoria, os efeitos mais graves sobre entregas essenciais, mas a extensão do impacto nas rotas e nos prazos dependerá da adoção prática da medida pelas unidades e da evolução das negociações.

Clientes e empresas com remessas urgentes devem acompanhar as comunicações oficiais dos Correios e utilizar os canais de atendimento informados pela estatal para consultar o status de encomendas e serviços.

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1 Comentário

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