O ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, alertou nesta segunda-feira (14/09/2026) que a inteligência artificial pode ser usada por potências estrangeiras para atacar a ordem social do país. Segundo Chen, grupos rivais vêm abusando de sistemas generativos para criar rumores políticos e difundir informações prejudiciais, numa estratégia que, na avaliação dele, atinge a segurança política, institucional e ideológica da China.
A declaração ocorre em meio a novo embate internacional sobre a velocidade do desenvolvimento de IA. No fim de semana, CEOs e pesquisadores do setor intensificaram apelos por uma desaceleração do avanço tecnológico — entre eles, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que publicou um artigo no sábado (12) defendendo limites no ritmo de implantação de modelos. Também houve alertas públicos de dois pesquisadores vinculados à Anthropic apontando riscos catastróficos, incluindo a possibilidade de ameaças existenciais no futuro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu aos apelos no domingo (13), rejeitando a ideia de impor um freio amplo à indústria. Em declaração a jornalistas, ele afirmou que os EUA são a nação tecnologicamente mais sofisticada e que é necessário preservar essa posição, argumentando que ceder a limitações poderia beneficiar a China e fazer os EUA perderem a corrida pela IA.
Ao comentar o uso da tecnologia por adversários, Chen Yixin não citou explicitamente os Estados Unidos, mas afirmou que essas ações equivalem a tentativas de lançar “guerras de opinião pública e guerras cognitivas” contra a China, com impactos diretos sobre sua estabilidade política e social.
O episódio ganha contorno diplomático porque o presidente Xi Jinping e Donald Trump têm encontro marcado em Washington ainda este mês, com foco expresso em governança e segurança da inteligência artificial. O tema da reunião reflete a crescente preocupação global sobre como conciliar inovação, competição geopolítica e proteção contra riscos tecnológicos.
Especialistas e autoridades ao redor do mundo têm intensificado debates sobre regulações e estruturas de governança para IA, diante de preocupações que vão desde desinformação e manipulação de opinião pública até riscos à segurança nacional e à economia. A resposta dos governos varia: alguns defendem normas mais rígidas e mecanismos de controle, enquanto setores da indústria pedem coordenação internacional para evitar medidas que privilegiem adversários estratégicos.
Com a escalada retórica entre Washington e Beijing, analistas apontam que o encontro entre Xi e Trump será monitorado de perto por empresas de tecnologia, governos e organizações multilaterais, na expectativa de avanços concretos em protocolos de segurança, supervisão transnacional e mecanismos para mitigar impactos geopolíticos do desenvolvimento acelerado da IA.
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