O governo do Irã afirmou, nesta segunda‑feira (14/09/2026), não ter participado das recentes ações do movimento Houthi contra forças do governo do Iêmen e alvos na Arábia Saudita. Em resposta à escalada de confrontos, o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, disse que os Houthis “são totalmente independentes” e tomam decisões de acordo com seus próprios interesses.
Baqaei também declarou que o Irã não interfere nos assuntos do Iêmen e ressaltou que Riad pediu o adiamento de uma reunião entre Teerã e os países do Conselho de Cooperação do Golfo, prevista para tratar de um acordo com Omã sobre a regulamentação das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz.
No mesmo dia, a Defesa Civil da Arábia Saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul do país. O porta‑voz militar dos Houthis afirmou que o grupo havia atacado a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait — a quinta maior cidade saudita — mirando instalações e infraestrutura militar.
Movimentações no litoral e tomada de pontos estratégicos
Nos últimos dias, os Houthis avançaram no sudoeste do Iêmen em direção ao Estreito de Bab el‑Mandeb, ponto de passagem crucial que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é estratégico para o comércio internacional e para o transporte de petróleo. Na sexta‑feira (11/09/2026), o grupo conquistou a cidade portuária de Dhubab e a ilha de Perim; na quinta (10/09/2026) já havia tomado a cidade de Moca.
Autoridades iemenitas e agências de notícias qualificaram a operação como o avanço mais significativo dos Houthis rumo ao controle do acesso ao Mar Vermelho. Embora o grupo tenha declarado que o tráfego em Bab el‑Mandeb e no Mar Vermelho seguia seguro e ininterrupto, a tomada de Dhubab e Perim aumentou preocupações sobre possíveis riscos à navegação e ao comércio global.
Contexto do conflito e repercussões regionais
Os Houthis controlam as áreas mais densamente povoadas do Iêmen e grande parte do norte do país, e travam desde 2014 uma guerra civil com as forças governamentais. A violência se intensificou nos últimos meses em um contexto mais amplo de realinhamentos e tensões no Oriente Médio, alimentadas pela guerra regional que envolve Estados Unidos, Irã e Israel, segundo observa parte da cobertura internacional.
A ONU calcula que ao menos 46 mil pessoas foram deslocadas dentro do Iêmen em razão da recente escalada dos combates.
Alegações sobre apoio iraniano e resposta diplomática
Ao anunciar um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita em julho, os Houthis foram apontados por algumas fontes como agindo após pedidos do Irã para atuar no Estreito de Bab el‑Mandeb; o governo iraniano, porém, reitera que não direciona as ações do grupo.
Além disso, o porta‑voz iraniano protestou contra a decisão da Áustria de impedir a participação do chefe do setor nuclear do país, Mohamad Eslami, em uma conferência anual da agência de energia atômica da ONU em Viena. Baqaei considerou a medida “totalmente injustificável” e atribuiu sua adoção a pressões vindas dos Estados Unidos, responsabilizando também o governo austríaco pela decisão.
O episódio soma‑se a um cenário de crescentes tensões diplomáticas e militares na região, enquanto observadores internacionais acompanham os desdobramentos no Iêmen e os impactos potenciais nas rotas marítimas e no comércio energético mundial.
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