Um ataque com um drone a jato atingiu uma estação ferroviária em Yahodyn, no oeste da Ucrânia, a cerca de 2 km da fronteira com a Polônia, minutos depois de um trem que transportava autoridades diplomáticas europeias — entre elas o ex-primeiro‑ministro britânico Boris Johnson — ter deixado o local.
O episódio ocorreu no domingo (12). Autoridades ucranianas informaram que o vagão atingido foi evacuado poucos minutos antes do impacto e que não houve registro de feridos. A estação de Yahodyn é rota frequente para delegações que viajam por terra até Kiev.
Entre os membros da comitiva estava Boris Johnson. Também seguiam no trem o ex‑primeiro‑ministro da Suécia Carl Bildt e o conselheiro de Segurança Nacional do Reino Unido, Jonathan Powell. O ex‑chefe da CIA David Petraeus relatou ter estado em outro trem que estava parado na estação no momento do ataque e qualificou a cena de “aterrorizante”, descrevendo o presidente russo, Vladimir Putin, como “bárbaro”.
Autoridades e declarações
- Ukrzaliznytsia, operadora ferroviária ucraniana, disse no Telegram que os horários dos trens foram ajustados em tempo real por causa da “ameaça russa” e que é “perfeitamente possível” que o trem diplomático fosse o alvo, porque deixou Yahodyn mais cedo do que o previsto.
- O Kremlin, por meio do porta‑voz Dmitry Peskov, afirmou que “nossas forças militares estão operando em todo o território da Ucrânia e continuarão a fazê‑lo”; a Rússia disse ter atingido “infraestruturas ferroviárias” no oeste ucraniano usadas, segundo Moscou, para transportar carga militar proveniente da Europa.
Além do ataque à estação, um caminhão a menos de 1 km da fronteira foi atingido no domingo, o que levou o posto de fronteira Dorohusk‑Yahodyn a interromper temporariamente as operações, segundo guardas de fronteira.
Repercussão internacional
- Boris Johnson classificou o ataque como “aleatório e sem sentido”.
- Kaja Kallas, presidente da Comissão Europeia, afirmou que o objetivo de Moscou parecia ser intimidar os países ocidentais que apoiam a Ucrânia e apelou para que os dirigentes europeus reajam em direção contrária ao medo.
- O primeiro‑ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, disse que a Rússia tem se tornado cada vez mais inconsequente e que a aliança ocidental dispõe de “todas as opções necessárias” para responder a ataques híbridos.
- Na Alemanha, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, qualificou o episódio como “uma escalada calculada de Putin”; o chanceler Friedrich Merz afirmou que Berlim tem evidências “muito claras” da responsabilidade russa por ataques híbridos recentes em solo europeu e se declarou pronto para reagir.
O incidente ocorre em um momento de intensificação do uso de drones na guerra entre Rússia e Ucrânia, com frequentes relatos de ataques e incursões que têm repercussão além das fronteiras ucranianas. Autoridades ucranianas e europeias tratam o episódio como sério e seguem investigando as circunstâncias e a origem do projétil que atingiu a estação de Yahodyn.
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