AirBaltic entra com pedido de recuperação nos EUA após alta do combustível; garante compromisso de €350 milhões
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AirBaltic entra com pedido de recuperação nos EUA após alta do combustível; garante compromisso de €350 milhões

Companhia letã protocolou Chapter 11 em Nova York em 14/09/2026 para reestruturar dívidas; voos seguirão normalmente e reestruturação deve ser concluída até junho de 2027.

Redação Portal Web Dicas 4 min de leitura Economia

Em 14 de setembro de 2026, a companhia aérea da Letônia airBaltic entrou com pedido voluntário de proteção contra credores nos Estados Unidos, apresentando um processo sob o Capítulo 11 do Código de Falências em Nova York. A medida visa permitir a reorganização financeira da empresa em meio à forte pressão sobre custos do setor aéreo, agravada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Segundo a direção da empresa, o grupo assegurou um compromisso de financiamento de €350 milhões (aproximadamente US$405 milhões) junto a um consórcio que inclui Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management. Os recursos destinam-se a manter as operações durante a tramitação do processo, que ainda depende da aprovação da Justiça americana.

O CEO da airBaltic, Erno Hilden, afirmou em coletiva que o empréstimo terá juros em torno de 12% e que, nos próximos meses, a companhia dialogará com todas as partes interessadas para estabelecer termos sustentáveis. Hilden, que chefiou a reestruturação da SAS entre 2022 e 2024, disse esperar que o plano leve a uma melhora de cerca de €44 milhões no resultado anual.

“Nos próximos meses, iremos dialogar com todas as partes interessadas para chegar a um acordo sobre termos sustentáveis”, declarou Erno Hilden.

A empresa informou que os voos continuarão a operar normalmente durante a proteção judicial. A previsão oficial é concluir a reestruturação até junho de 2027.

Documentos apresentados ao tribunal destacam o tamanho das obrigações da airBaltic: cerca de US$583 milhões em dívidas e compromissos relacionados a financiamento e leasing de aeronaves, além de cerca de €106 milhões em impostos sobre folha de pagamento e taxas ligadas à aviação. Em 2025, a receita da companhia foi de aproximadamente €779 milhões.

A frota da companhia é composta por cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300. O controle acionário é majoritário do governo da Letônia, enquanto a alemã Lufthansa detém uma participação minoritária de 10%.

Antes do pedido ao tribunal, detentores de títulos da airBaltic estavam convocados a votar um plano para captar até €257 milhões por meio de nova dívida com vencimento em fevereiro de 2027 e juros de 25%. O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, explicou que o processo de Chapter 11 foi iniciado após investidores que detêm mais de 70% da dívida optarem pela liquidação, e qualificou a solução como uma das melhores opções para preservar a viabilidade da companhia.

Kulbergs disse ainda que o governo continua em busca de um investidor estratégico enquanto a empresa reduz frota e reorganiza suas obrigações financeiras. Em publicações nas redes, o premiê afirmou que, até abril, a airBaltic já havia utilizado €380 milhões captados com títulos emitidos em 2024, e que um empréstimo emergencial de €30 milhões concedido pelo governo foi totalmente gasto em junho.

Analistas do setor apontam que o aumento abrupto nos preços do combustível de aviação — que, segundo relatos de mercado, chegaram a dobrar após a eclosão do conflito — provocou a pior crise no segmento desde a pandemia de Covid-19. Especialistas alertam que companhias com balanços mais frágeis correm risco de entrar em processos de insolvência ou encerrar operações.

O analista John Strickland comentou que o Chapter 11 oferece uma estrutura de proteção para reorganizar a companhia, e Yves Schwyter, da Vectus Intelligence, avaliou que a operação deve resultar em uma estrutura de capital mais sustentável do que a alternativa em discussão na semana anterior. Por sua vez, o analista Simonas Bartkus observou que planos de expansão ambiciosos — a airBaltic havia projetado crescer para até 100 aeronaves — ficaram inviáveis diante do aumento dos custos e da perda de demanda prevista para algumas rotas.

O cenário global já vinha afetando outras empresas aéreas: a Spirit Airlines encerrou operações em maio, em meio aos efeitos do conflito, e a AirAsia busca aportes adicionais para enfrentar suas próprias dificuldades.

  • Pedido: Capítulo 11 em Nova York, protocolado em 14/09/2026.
  • Financiamento comprometido: €350 milhões (~US$405 milhões) de um consórcio financeiro.
  • Condições: Juros próximos a 12%; sujeitas à aprovação judicial nos EUA.
  • Dívida total estimada: ~US$583 milhões; impostos e taxas de ~€106 milhões.
  • Receita 2025: ≈ €779 milhões.
  • Frota e estrutura acionária: Cerca de 50 Airbus A220-300; controle pelo governo da Letônia; Lufthansa com 10%.
  • Prazo esperado: conclusão da reestruturação até junho de 2027.

Com a abertura do processo, a airBaltic busca tempo e instrumentos legais para renegociar contratos de leasing, prazos de dívida e possíveis aportes externos, enquanto mantém a operação comercial. A companhia afirma que a opção pelo Chapter 11 é a alternativa mais adequada para proteger empregos e a conectividade regional enquanto se procura uma solução de longo prazo.

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