Documentário ‘Musk’ de Alex Gibney: 5 pontos essenciais sobre o filme de quase 4 horas
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Documentário ‘Musk’ de Alex Gibney: 5 pontos essenciais sobre o filme de quase 4 horas

Estreia em Veneza apresentou um retrato amplo e crítico de Elon Musk — com uso de IA, participação de David Byrne e recepção majoritariamente positiva

Redação Portal Web Dicas 4 min de leitura Tecnologia

O novo documentário de Alex Gibney, intitulado “Musk”, teve sua estreia no Festival de Cinema de Veneza e reúne um panorama extenso e crítico da vida e carreira do empresário. Com 225 minutos de duração e um intervalo de 10 minutos, a obra dedica quase quatro horas ao homem atualmente considerado o mais rico do mundo.

1. Musk não foi entrevistado; o filme usa um avatar gerado por IA

Gibney tentou obter uma entrevista com Elon Musk, mas, quando o projeto foi anunciado em março de 2023, Musk publicou nas redes que se trataria de uma “matéria difamatória” — ao que o diretor respondeu: “Como você sabe?”. Sem acesso direto ao bilionário, o cineasta recorreu a um avatar criado por inteligência artificial para reproduzir declarações públicas já feitas por Musk. Em sua narração, Gibney justifica a escolha lembrando que o próprio empreendedor já afirmou acreditar na hipótese de vivermos em uma simulação.

2. David Byrne coescreveu a música dos créditos finais

O músico David Byrne participa do documentário e ajudou a compor a faixa de encerramento, intitulada “Let Me Sell You a Dream”. A letra da canção foi montada inteiramente a partir de frases ditas por Musk em momentos públicos, uma opção que complementa a leitura crítica do filme sobre a capacidade do empresário de vender visões de futuro.

3. Planos para colonizar Marte e autoimagem visionária são questionados

O documentário reúne cientistas, autores e ex-colaboradores que contestam as ideias de Musk sobre colonização de Marte e outras promessas tecnológicas. O astrofísico e autor Adam Becker é direto ao afirmar: “Isso não vai acontecer”, citando obstáculos como baixa gravidade, radiação elevada, falta de ar e solos tóxicos. Em contraponto, o próprio Musk aparece em registros anteriores defendendo sua visão: “Sou muito bom em prever o futuro” — e acrescentando que, embora seus prazos possam falhar, suas previsões tendem a se concretizar, ainda que em prazos diferentes do inicialmente imaginado (declaração registrada em entrevista à revista The Economist, em julho).

4. O filme relaciona a gestão de Musk no Twitter e no governo

Gibney traça paralelos entre a maneira como Musk administrou o Twitter e sua atuação no chamado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) durante a administração do presidente Donald Trump. Autores entrevistados, como Zoë Schiffer (autora de Extremely Hardcore: Inside Elon Musk’s Twitter), relatam que, após a compra do Twitter, aliados de Musk demitiram grande parte da equipe sem apurar as funções dos funcionários — padrão que, segundo Schiffer, se repetiu quando ele tentou aplicar a mesma lógica no DOGE, com cortes orçamentários drásticos e a delegação de tarefas a assistentes jovens e sem experiência no serviço público. Musk chegou a dizer publicamente que “o DOGE virou bode expiatório para tudo” antes de deixar a gestão.

5. Referências cinefílicas e recepção crítica em Veneza

Para ilustrar sua leitura dramatizada do personagem, Gibney insere trechos do filme britânico de 1937 O Homem que Fazia Milagres, baseado em H.G. Wells, cuja trama mostra um homem comum agraciado com poderes infinitos que, ao exigir mudanças rápidas dos líderes, termina causando a destruição acidental do planeta. A montagem e o tom do documentário têm sido bem recebidos pela crítica: publicações internacionais elogiaram a obra — a Variety chamou-a de “uma obra contundente e importante” e o The Telegraph a definiu como “um ataque implacável e minuciosamente detalhado”. Por outro lado, Musk criticou o filme nas redes sociais, descrevendo-o como “um ataque difamatório que fracassa e comete o pecado capital de ser entediante por quatro horas”.

No evento em Veneza, o diretor promoveu o filme acompanhado de pessoas que aparecem na obra, entre elas a jornalista Zoë Schiffer e a ex-namorada de Musk, Ashley St. Clair. Apesar de poucas imagens inéditas, a montagem de Gibney reúne material jornalístico já existente em um perfil de ritmo acelerado, com foco predominantemente crítico e um horizonte narrativo que alguns críticos consideram quase apocalíptico.

Se você não tiver disponibilidade para assistir às quase quatro horas do filme, estas cinco chaves oferecem um panorama do que esperar: ausência de entrevista direta com Musk, uso de IA para simular declarações, participação musical de David Byrne, questionamentos científicos e políticos sobre projetos do bilionário, e uma recepção crítica majoritariamente positiva apesar das reclamações públicas do próprio retratado.

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